MITOLOGIA CELTA

Mitologia Céltica

Mitologia é o estudo dos mitos que incluem as lendas e as histórias de uma cultura específica, que constituem o sistema religioso ou de crenças de um povo.

Os bardos cantavam os grandes feitos dos homens famosos, em versos épicos, acompanhados pelos sons melodiosos da lira. A música original e grande parte da poesia épica desapareceram da tradição quando os mitos foram registrados pelos escritores cristãos. Contudo, algumas das histórias, relativas, principalmente, aos feitos heróicos dos lendários guerreiros célticos, sobreviveram e constituem a substância da literatura a que chamamos agora Mitologia Céltica.
A mitologia pode dizer-nos muitas coisas acerca de uma sociedade antiga ou moderna. Todavia, antes de podermos começar a compreender a natureza da mitologia céltica, devemos primeiro desfazer o nosso próprio mito moderno dos Celtas. Durante o final do século XVIII e o século XIX a principal referência aos mitos célticos encontrava-se em textos românticos; e estes proporcionavam uma fuga nostálgica da Era Industrial para uma era regida pela natureza e pela magia, povoada por guerreiros heróicos e por donzelas de pele clara.
Os poetas e os pintores de cada país redescobriram o seu próprio passado céltico: a Irlanda dirigiu o olhar para as lendas, como os contos de CuChulainn e de Fianna ou Feniana; o País de Gales teve a saga heróica de Pryderi no Mabinogion; o poeta escocês James Macpherson (1736 - 1796) forjou as suas Ossionic Ballads (Baladas Ossiânicas), reivindicando serem traduções de um poema gaélico, do século III, chamado Ossian; a Inglaterra ressuscitou as lendas do Rei Artur, em obras como o poema de Tcnnyson, Idjlls of the King (Idílios do Rei).
 Os Celtas
O Romantismo impregnou os mitos com as suas próprias noções românticas e manteve, frequentemente, os elementos de medievalismo cristão que ficaram ligados às primeiras versões escritas. A visão romântica do Crepúsculo Céltico continua a influenciar a nossa percepção dos Celtas no fim do século XX. Precisamos, igualmente, dos nossos mundos de sonho, pelo que a palavra céltica evoca misteriosas paisagens banhadas pelo luar, com sacerdotes druidas de vestes brancas, celebrando estranhos rituais e preparando poções mágicas.
A arte céltica, particularmente na joalheria tem um encanto abstrato que lhe é próprio, denotando ainda uma atração por um passado desconhecido. A literatura céltica tem um encantamento semelhante, o narrador leva-nos de um mundo de gente e de lugares aparentemente reais para terras fantásticas de fadas e de monstros; e tal descrição é fácil de nos enfeitiçar por essa cultura. Devemos perguntar-nos se os próprios Celtas entendiam a sua religião como um mistério e os seus poemas como fugas ao mundo real, como forma de conexão com o Outro Mundo.
As respostas não surgem prontamente: os Celtas não escreveram as suas histórias. Portanto, limitamo-nos, a saber, quais eram os seus costumes e o seu comportamento pelo testemunho dos autores contemporâneos gregos e romanos, se bem que a sua visão dos Celtas fosse tão mítica quanto a nossa... E para isso, precisamos aprofundar-nos no assunto: Visão geral sobre os mitos celtas.
Contudo, a arqueologia tem confirmado algumas das observações mais radicais dos escritores clássicos: se os Celtas praticavam realmente sacrifícios humanos e eram caçadores de cabeças. A arqueologia também aumentou os nossos conhecimentos quanto à maneira como os Celtas viviam, praticavam o culto e enterravam os seus mortos. A datação arqueológica confirma também os achados célticos e nos informa sobre o passado pré-histórico dos Celtas.
Existiu uma cultura reconhecidamente “proto-céltica” ao redor do Danúbio superior no ano de 1000 a.C. Contudo, alguns arqueólogos defendem agora uma muito espalhada e gradual “celtização” de culturas que existiam já na Idade do Bronze na Europa Setentrional e Meridional; assim, a Bretanha céltica podia mesmo remontar a 1500 a.C., quando a cultura de Wessex possuía características sociais heróicas em conformidade como os primitivos mitos célticos irlandeses. 

Os Celtas

As primeiras referências que temos dos celtas encontram-se na literatura grega, por volta de 500 a.C. Parece que, por essa altura, deveriam já habitat uma vasta área geográfica, que incluía França e Espanha e que se estendia até ao Danúbio superior, na Europa Oriental. A datação arqueológica dos achados não só confirmam sua história como também nos informa sobre o passado pré-histórico dos celtas.
Existe uma cultura reconhecidamente pré-cética em redor Danúbio superior do ano de 1000 a.C. Contudo arqueólogos defendem agora uma muito espalhada e gradual "celtização" de culturas que existiam já na Idade do Bronze na Europa Setentrional e Meridional; assim, a Bretanha céltica podia mesmo remontar a 1500 anos a.C., quando a cultura de Wessex possuía as características sociais heróicas em conformidade com os primitivos mitos célticos irlandeses.
Os celtas Hallstatt (Idade do Bronze), europeus meridionais cOs celtasomeçaram cedo a explorar o ferro para ferramentas e armas e a expandir o seu território, primeiramente através da Europa, em direção à França e à Península Ibérica, como afirmam os primeiros historiadores gregos.
As tribos gálicas fizeram, então, incursões na Itália romana e etrusca, tendo sido quase bem sucedidos ao sitiar Roma, em 387 a.C., e acabando por se estabelecer no vale do Pó (maior rio italiano).
A cultura céltica deste período é conhecida como La Tène (Idade do Ferro), nome de uma localidade na Suíça que apresenta características típicas da sociedade céltica do séc. V a.C. Muitos arqueólogos vêem La Tène como a primeira cultura verdadeiramente céltica e, por certo, este é o povo que, a partir de então, é referido como os celtas pelos historiadores clássicos.
Uma expansão céltica posterior foi dirigida para o Sudeste da Europa, o Báltico e para a Turquia Ocidental. No século IV a.C. vemos Alexandre, o Grande, receber embaixadores célticos na sua corte na Macedônia, e ouvimos dizer que, em 279 a.C., tribos célticas tentaram saquear o santuário grego de Delfos, a que se opôs um miraculoso nevoeiro enviado pelo Deus Apolo.
Os gregos faziam distinção entre os celtas orientais, a que chamavam Galatoi (Gálatos originalmente da Gália), e os celtas da Europa Ocidental, a que chamavam Kelkoi. Os Romanos fizeram mais uma distinção, chamando Galli (Gauleses) aos celtas franceses e Belgae (originalmente do que é agora a Bélgica) e Britanni (Bretões) aos celtas britânicos.
A Gália céltica tornou-se a província romana da Gallia, após as conquistas de Júlio César, no século I a.C., e a Bretanha tornou-se a Britannia romana, no reinado do imperador Cláudio, no ano 43 da nossa Era.
A Irlanda nunca foi invadida por Roma e, portanto, os seus mitos tendem a preservar a sua primitiva cultura céltica pré-histórica com mais pormenores.
Júlio César e outros escritores dos primeiros séculos a.C. e d.C. deram-nos relatos precisos da cultura e dos costumes célticos vistos por não-celtas. A principal característica que emerge é a que se refere a pouca unidade entre eles: estavam divididos em tribos dirigidas por chefes que, ao que parece, mantinham lutas constantes entre si. Todavia, deve recordar-se que os romanos, provavelmente, encorajavam essas divisões tribais nativas para facilitar as suas próprias invasões. 
 Terminologia, Religiosidade e Idioma

A palavra celta é derivada da ancestral Keltoi que os gregos ancestrais usaram para denominar as tribos européias ao norte deles. Para os gregos e estudiosos modernos, a palavra distingue diferentes culturas, do mesmo modo que foi usada no passado para denominar diferentes tribos, referindo-se a cultura e não ao povo geograficamente delimitado. Culturas celtas, ao contrário do que se fala, ainda existem.
O termo celta começou a ser usado para culturas européias atuais (portanto vivas) a cerca de 300 anos atrás. Para algo ser chamado de celta significa, portanto que se desenvolveu e existe numa cultura que fala a língua celta.
São considerados celtas hoje em dia, países das quais, certa porção da população fala algum idioma celta, fato que explica a designação dos "sete países celtas" enquanto na verdade, se o critério fosse a colonização ou habitação primitiva dos celtas, obviamente muito mais países entrariam nessa lista.

Existem dois troncos principais da família celta. O primeiro tronco é o Gaulês ou Gaélico encontrado na Irlanda (Eriu), Escócia (Alba) e Ilha de Man (Mannin). O segundo tronco é o Bretão, encontrado em Gales (Cymru), Cornualha (Kernow) e Bretanha (Breizh).
O termo céltico não é sinônimo dos termos irlandês, escocês ou galês, etc. O celta relaciona a cultura e específico idioma enquanto os outros designam a nacionalidade. celta é uma descrição cultural e seus laços são definidos pelo idioma, que é a mais forte característica para enquadrar todas as tribos a qual o termo foi atribuído, num só grupo entre os séculos XVI e XIX na Bretanha e no continente houve um grande interesse em material antiquário.

La Tène
Distribuição dos celtas na Europa. A área verde sugere a possível extensão da área céltica, com a cultura de "Hallstatt",  por volta de 1000 a.C. A área laranja indica a região do nascimento da cultura "La Tène" e a área vermelha indica a região sob influência dos povos celtas, por volta de 400 a.C
Inevitavelmente, na ausência de um sistema científico de classificação para construir um panorama cronológico do passado, os investigadores compactaram o material remanescente dos habitantes ancestrais da Europa, de modo tudo que era aparentemente pré-romano "pertencia" ao mesmo horizonte cultural. Assim os druidas, Stonehenge e os celtas se tornaram, segundo a Dra. Miranda Green, erroneamente intrincados e assim permanece até hoje.

As tradições tem permanecido vivas nas áreas que falam idioma celta. Na maioria dessas áreas, os velhos costumes têm revivido ao mesmo tempo em que o idioma, de maneira muito orgânica. Nas últimas décadas, os governos da Irlanda e Escócia vem tentado criar novas áreas de língua gaélica. Gales tem vestido sua herança céltica há muitos anos. Um milagre aconteceu na Cornualha e a língua nativa, que estava extinta, renasceu.

As únicas reais verdades sobre as coisas ditas celtas, são as que oferecem correspondente nas crenças, espiritualidade, tradições, cosmo visão comuns às comunidades que falam o idioma céltico, que são o Gaélico e o Bretão. Grupos que se denominam celtas por motivos religiosos, políticos ou qualquer outro isoladamente da cultura, não terão jamais compreensão de mundo das comunidades celtas e por tanto o uso do termo torna-se dubitável. Um brasileiro que fala gaélico interage muito mais na cultura celta, do que um irlandês que não fala gaélico irlandês.

O termo celta seja gaélico ou bretão não se refere à raça. Não existe o chamado "sangue celta". Celta é uma classificação cultural que não tem nada haver com genética ou pureza racial. Tomando os gauleses como exemplo, povos de muitas áreas como fenícios, semitas e ilírios estavam reunidos nas terras que são gaulesas hoje, originando, o que se torna dispensável dizer, no povo gaulês.

O uso da terminologia céltica como pano de fundo para problemas políticos, alegando pureza racial é puro merchandising, que não encontra embasamento histórico nenhum. O mesmo pode ser afirmado no que diz respeito à associação do termo a reivindicação de pureza e extremismo racial.

Nas últimas décadas as pessoas tem tentado restabelecer a ligação com suas raízes culturais e idioma nativo. Infelizmente a maioria das informações presentes na "espiritualidade celta" de hoje, não são referentes às culturas celtas e sim materiais modernos de mitos da idade média e do romantismo. Chamar algo de celta quando não é parte da cultura celta é errôneo do mesmo modo que, selecionar um aspecto dessa e de qualquer outra cultura é divorciá-la do restante do contexto no qual ela é inserida. Aqueles que fazem isso aniquilam a cultura e o seu real significado.

A religião celta é completamente dependente da cultura celta e a única maneira de entender uma é entendendo a outra. Averigua-se facilmente nesse tipo de mal uso, uma desconexão histórica grosseira e completo desleixo com a realidade das comunidades celtas. Com o passar do tempo, o povo que foi para o Novo Mundo abandonou suas culturas célticas em pró de seu novo ambiente.

Como resultado as tradições célticas tornaram-se tão estrangeiras para seus descendentes quanto para qualquer outra pessoa de outra cultura, da qual ela tenha sido levada. Até mesmo no Reino Unido, muitas pessoas não tem tido acesso ao conhecimento tradicional devido ás guerras mundiais, crescimento das cidades e da tecnologia.

"O entrelaçamento entre religião e cultura, pode-se afirmar que um chinês que fale gaélico pode certamente saber mais sobre a religiosidade celta que um irlandês, uma vez que a língua oferece a imersão dentro de uma cultura. Essa comparação pode ser bem entendida se trazida para a realidade brasileira: uma inglês que fale tupi sabe muito mais da religião e cultura indígena do que nós que aqui moramos e somos seus descendentes."

Toda religião celta pós-moderna que floresceu distante dos territóriosTriskle de Newgrange célticos então é posta em cheque por esse bloqueio lingüístico. Aprender o gaélico do território céltico cuja religião você está se conectando é um dos principais elementos para se seguir uma religião celta moderna verdadeira. Discordo daqueles que defendem que só os descendentes de celtas podem compartilhar das crenças religiosas célticas. Esse tipo de pensamento só vem a disfarçadamente reforçar o extremismo racial dos celtas enquanto povo, enquanto na verdade uma pessoa nascida em qualquer região do planeta pode ser considerado celta se dominar tal idioma e por tabela a cultura inteira, uma vez que é sabido que foi a língua, a maior unidade das tribos celtas ancestrais. Além disso, existe um compromisso transcendente inerente ao aprendizado da língua de seus Deuses para mantê-la viva.

Tais idiomas vem sendo, assim como o nosso e muitos outros no mundo, substituídas pelas novas gerações pelo inglês. Claro, salvo as devidas proporções em comparação ao nosso português. Os idiomas nativos da Irlanda, que como outros, guardam os contos folclóricos, lendas, costumes, canções, orações, mitos, Deuses Pagãos e conhecimentos diversos, estão confinadas aos lugares rurais mais remotos, que obviamente, pela ordem natural do desenvolvimento do país, tende a desaparecer.

Com as religiões modernas, a única que é assumidamente moderna, é a chamada de Paganismo Celta Reconstrucionista (CPR), de todas as "religiões celtas" ela é a única que não reclama uma "pura legitimidade sangüínea" ou "ancestralidade neolítica". Quem não gosta muito de aulas de história, o reconstrucionismo, também chamado de: Tradicionalismo Gaélico, Tradicionalismo Irlandês, Escocês, Aurrad, Tuathanách entre outros, ressalta a importância do idioma, porque busca uma prática religiosa vinculada ao conhecimento da cultura e do cotidiano, original dos celtas.

Multiplicide Celta

Para começar a entender a mitologia celta, é preciso entender ao menos um pouquinho do povo que deu origem a ela. A denominação genérica celta define não só um povo ou raça, como costumamos entender essa palavra; mas sim um vasto número de tribos diferentes espalhadas por diversos países da Antiga Europa, que apesar da dispersão geográfica guardavam entre si fortes profundas semelhanças de cunho social, religioso, mitológico e principalmente lingüístico (gaélico).

Os celtas viviam em tribos. Cada tribo possuía seu Deus particular, e Deuses ‘maiores’ compartilhados por tribos vizinhas. Ao se fazer um breve apanhado geral sobre o quão distribuídos estavam os celtas pela Europa, para que se possa compreender a variedade de Deuses, seres espirituais, valores, costumes - voltados também à agricultura e às artes - e conceitos registrados em sua mitologia.

Além da interpretação tribal que cada mito, que cada Deus e que cada aventura celta sofria, devido às diferenças regionais, existe também o agravante dessa literatura ser exclusivamente oral, uma vez que esse povo não dos deixou nada por escrito, o que justifica suas complexidade e variação. Tendo esses conceitos previamente compreendidos, pode-se pensar então em conhecer os Deuses celtas em sua real natureza e não em comparação com outros sistemas politeístas já conhecidos.

Eles, ao contrário dos greco-romanos, por exemplo, não são personificações de funções ou virtudes somente. Não procure nos Deuses celtas arquétipos como "de Amor ou de Guerra". Pelo contrário, todos os Deuses possuem várias funções diferentes, podendo ser de proteção e destruição ao mesmo tempo. Todas essas peculiaridades dificultam o aprendizado de início, mas em contrapartida proporcionam um prazer imenso a quem decide persistir e pesquisar essa cultura. 


Deuses Celtas

Principais Deuses e Deusas Celtas
Os celtas não misturavam panteões de outras culturas e nem cultuavam Deuses celtas de outras tribos, apesar das semelhanças, cada ramo celebrava seus Deuses locais seguindo apenas as referências das tradições pertencentes a sua terra natal, com exceção de algumas divindades pan-célticas.
As Deusas e os Deuses celtas possuíam características próprias e distintas, conforme seus atributos. Relatos vindos de antigos ancestrais nos esclarecem que as tradições eram passadas de boca a ouvido, centrados nas esferas do Céu, da Terra e do Mar!
A seguir, alguns dos principais Deuses Celtas e suas tradições.
Mitologia Irlandesa
- Áine: Deusa do amor, da fertilidade e do verão. Rainha dos reinos feéricos dos Tuatha de Danann, conhecida como "Cnoc Áine" (Monte de Áine) é a soberana da terra e do sol, associada ao solstício de verão, às flores e as fontes de água. Áine (Enya) - filha de Manannán Mac Lir - representa a luz brilhante do verão. Como uma Deusa solar, podia assumir a forma de uma égua vermelha.
- Angus Mac Og / Oengus: Deus da juventude, do amor, da beleza e da inspiração poética entre os Tuatha de Danann. Era filho de Dagda e Boann e, assim como o pai, possuía uma harpa mágica, que produzia um som doce e irresistível. Foi associado à "Brugh na Bóinne" (Newgrange - Irlanda). Angus se apaixonou por uma linda jovem do Sídhe, mas somente a via em sonhos. Essa é uma lenda que faz parte do Ciclo Mitológico Irlandês, conhecida como: o Sonho de Oengus.
- Badb: Deusa da guerra, dos campos de batalha e das profecias. Era conhecida como: o Corvo de Batalha ou a Gralha Escaldada. Com suas irmãs, Macha e Morrighan, formava um trio de Deusas guerreiras, as filhas da Deusa-mãe Ernmas, que morreu em "A Primeira Batalha de Magh Turedh", conto que descreve como os Tuatha Dé Danann tomaram a Irlanda dos Fir Bolg. Badb rege a morte, a sabedoria e a transformação.
- Bilé: Considerado o pai dos Deuses e dos homens. Companheiro de Dana e pai de Dagda, o principal líder dos Tuatha Dé Danann. Alguns mitos dizem que ele era o antepassado dos Milesianos, último grupo de soldados liderados por Mil Espáine, que invadiram a Irlanda na época de Beltane e derrotaram os Tuatha de Danann. Bilé é o Deus do Outro Mundo, considerado o "primeiro ancestral", associado às fogueiras da purificação. Na tradição irlandesa "Bilé" significa "Árvore Sagrada", que pode representar uma árvore real ou um ponto de referência central a um local religioso ou altar.
- Brigit / Brigid / Brighid: Deusa reverenciada pelos Bardos, tanto na Irlanda como na antiga Bretanha, cujo nome significa "Luminosa, Poderosa e Brilhante". Brighid, a Senhora da Inspiração, era filha de Dagda, associada à Imbolc e as águas doces de poços ou fontes, que ficam próximos às colinas. É a Deusa do fogo, da cura, do lar, da fertilidade, da poesia e da arte, especialmente a dos metais. Brighid também é uma Deusa guerreira, conhecida como "Bríg Ambue", a protetora soberana dos Fianna. Brighid era consorte de Bres e mãe de Ruadan, que foi morto ao espionar os Fomorianos. Ela sentiu profundamente a morte do filho, dando origem ao primeiro lamento poético de luto irlandês, conhecido como keening.
- Boann / Boand / Boyne: Deusa que deu nome ao rio Boyne, na Irlanda, descrito nos poemas "Dindshenchas" - lendas relacionadas à origem dos nomes dos lugares sagrados da Irlanda - do Ciclo Mitológico Irlandês e na lenda do "Salmão da Sabedoria". É mãe de Angus Mac Og com o grande Dagda. Era esposa de Nechtan ou Echmar, que fez uma viagem de apenas um dia e uma noite quando, na verdade, a viagem durou nove meses. Dagda usou seu poder para esconder o adultério de Boann. É a Deusa da fertilidade, da abundância e da prosperidade.
- Cailleach: É a Deusa da terra e das rochas, diz a lenda que ela criou os morros e as montanhas a sua volta, ao atirar pedras em um inimigo. Na mitologia irlandesa e escocesa é conhecida também como a "Cailleach Bheur", que significa mulher velha, às vezes, descrita de capuz com o rosto azul-cinzento. Geralmente é vista como a Deusa da última colheita (Samhain), dos ventos frios e das mudanças, aquela que controla as estações do ano, a Senhora do inverno.
- Dagda: Deus da magia, da poesia, da música, da abundância e da fertilidade. No folclore irlandês, Dagda era chamado de "O Bom Deus", possuía todas as habilidades sendo bom em tudo, "Eochaid Ollathair" (Pai de todos) e "Ruad Rofhessa" (Senhor de Grande Sabedoria), considerado mestre de todos os ofícios e senhor de todos os conhecimentos. Consorte de Boann teve vários filhos, entre eles Brighid, Angus, Midir, Ogma e Bodb, o Vermelho. Dagda tinha um caldeirão mágico, o Caldeirão da Abundância, que nunca se esvaziava e uma harpa de carvalho chamada "Uaithne", que fazia com que as estações mudassem, quando assim o ordenasse. Além disso, tinha um casal de porcos mágicos que podiam ser comidos várias vezes e que sempre reviviam, bem como, um pomar que, independente da estação, dava frutos o ano todo.
- Dana / Danu / Danann: Considerada a principal Deusa Mãe da Irlanda e do maior grupo de Deuses, os Tuatha Dé Danann, o Povo de Dana ou o Povo Mágico (Daoine Sidhe), a tribo dos seres feéricos. A Terra de Ana (Iath nAnann), às vezes, é identificada como Anu ou Ana, seu nome significa "Conhecimento". Era consorte de Bilé e mãe de Dagda. Em Munster, na Irlanda, Dana foi associada a dois morros de cume arredondados, chamados de "Dá Chich Anann" ou "Seios de Ana", por se parecem com dois seios. É a Deusa da fertilidade, da terra e da abundância.
- Dian Cecht / Diancecht: Deus da cura foi o grande médico e curador dos Tuatha Dé Danann, responsável pela restauração do braço de Nuada por um outro braço de prata. Diancecht era irmão de Dagda e teve vários filhos, entre eles Airmid, Etan, Cian, Cethé, Cu e Miach. Seu nome significa "Rápido no poder".
- Erin / Eriu: Filha de Fiachna e Ernmas, descrito no Lebor Gabála Érenn (Livro das Invasões). Junto com suas irmãs Banba e Fotla, Erin era uma das três rainhas dos Tuatha Dé Danann, que deu seu nome à Irlanda, através de uma promessa feita por Amergin, após a invasão dos Milesianos.
- Flidais: Deusa da floresta, dos bosques, da caça e das criaturas selvagens, representa a força da fertilidade e da abundância. Viajava numa carruagem puxada por cervos e tinha uma vaca mágica que dava muito leite. Seu nome significa "Doar", elucidado no conto de "Táin Bó Flidais" - O Roubo do Gado de Flidais. Tinha o poder de se metamorfosear na forma de qualquer animal.
- Goibniu / Goibhniu: Era o grande ferreiro, construtor e mestre da magia. Goibniu, junto com Credne e Luchta, formavam os três artesãos divinos, conhecidos como os "Trí Dé Dána". Foi quem forjou todas as armas dos Tuatha Dé Danann e criou o novo braço para o rei Nuada. Suas armas sempre atingiam o alvo e a ferida provocada por elas, era fatal. Deus dos ferreiros, das habilidades culinárias e do trabalho com metais em geral.
- Lir / Lear: No folclore irlandês, Lir era o Deus do mar, considerado também, o Senhor do submundo (o mundo dos ancestrais), da magia e da cura. Lir era pai de Manannán Mac Lir e das crianças Fiachra, Conn, Fingula e Aod, que foram transformadas em cisnes por causa do ciúme da sua madrasta Oifa, nos contos do Ciclo Mitológico Irlandês, conhecido como: O Destino dos Filhos de Lir.
- Lugh / Lug / Lugus: Um dos grandes heróis da mitologia irlandesa, Lugh era filho de Cian (neto por parte dos Dananns de Dian Cecht) e de Ethniu, filha de Balor, rei dos Fomorianos. Uma profecia dizia que Balor seria morto por seu neto. Para evitar esse destino, mandou dar fim nos netos, mas Lugh sobreviveu e foi criado por Tailtiu, sua mãe adotiva. Sua festividade é Lughnasadh, a festa da primeira colheita. Ficou conhecido como "Lugh Lámfada" - Lugh dos braços longos e "Lugh Samildanach" - Lugh, o artesão múltiplo. Lugh é o Deus dos ferreiros, cujo domínio incluía a magia, as artes e todos os ofícios em geral, seu nome significa "Luz" - belo como o Sol. Guardião da espada mágica e da lança invencível, vinda da cidade de Gorias, um dos quatro tesouros dos Tuatha Dé Danann.
- Macha: Deusa da fertilidade e da guerra, filha de Ernmas, junto com as irmãs Badb e Morrighan, podia lançar feitiços sobre os campos de guerra. Após uma batalha os guerreiros cortavam as cabeças dos inimigos e ofereciam a Macha, sendo este costume chamado de a "Colheita de Macha". É a Deusa dos equinos, que durante a gravidez foi forçada a uma corrida de cavalos. Quando chegou ao final, entrou em trabalho de parto e deu à luz a gêmeos. Antes de morrer, Macha colocou uma maldição sobre os homens da província para que em tempos de opressão e maior necessidade, eles sofreriam dores como as de um parto.
- Manannán Mac Lir: Filho de Lir, também é considerado um Deus do mar e do Outro Mundo, homenageado como uma das principais divindades marítimas pelos irlandeses e reverenciado como protetor dos marinheiros. Viaja pelo mar muito mais rápido que o vento em um barco mágico puxado por um cavalo chamado Enbharr, que significa "Espuma de água". Mestre na mudança de forma, Manannán era uma divindade popular entre os Bardos e todos aqueles que praticavam a adivinhação. Quando os Dananns foram derrotados pelos Milesianos, foi Manannán quem os levou à "Terra da Juventude", Tir na nÓg, através de colinas subterrâneas, o Sídhe. Ele tinha uma armadura que dizia ser impenetrável e uma capa mágica do esquecimento e da invisibilidade.
- Morrigu / Morrigan / Morrighan: É a Grande Rainha "Mor Rioghain", na mitologia irlandesa, da tribo dos Tuatha Dé Danann. Senhora da Guerra, possuía uma forma mutável e o poder mágico de predizer o futuro. Reinava sobre os campos de batalha e junto com suas irmãs Badb e Macha eram conhecidas pelo nome de "Três Morrígans", relacionadas à triplicidade que, para os celtas, significava a intensificação do poder. Associada aos corvos, ao mar, as fadas e a guerra, além da associação à Maeve, rainha de Connacht, casada com o rei Ailill e a Morgana, das lendas arthurianas. Podia mudar sua aparência à vontade, como em um lobo cinza avermelhado. Nos mitos relacionou-se com Dagda e apaixonou-se pelo grande herói celta, CuChulainn, que despertou toda sua fúria, ao rejeitá-la. Deusa da morte e do renascimento, da fertilidade, do amor físico e da justiça.
- Nuada: No folclore irlandês, era reverenciado como rei e grande líder dos Tuatha Dé Danann. Possuía uma espada invencível, vindo da cidade de Findias e que fazia parte dos Tesouros de Dananns. Na primeira Batalha de Magh Turedh perdeu o braço ou a mão, órgão que foi restituído, mas fez com que ele perdesse o trono da tribo. Ficou conhecido como "Nuada, Braço de Prata" ou "Nuada, Mão de Prata". Nuada era o Deus da vida e do renascimento, irmão de Dagda e Dian Cecht.
- Ogma / Oghma: É o Deus da eloqüência, da vidência e mestre da poesia que, na tradição irlandesa, segundo o "Livro de Ballymote", foi quem inventou o alfabeto oracular "Ogham", utilizado pelos antigos Druidas, baseado em árvores sagradas. Ogma, filho de Dagda e Dana, era um Deus guerreiro, retratado como um ancião com sorriso no rosto, vestindo casaco de pele e carregando um arco e um bastão.
- Scathach / Scatha / Scath: Seu nome significa a "Sombra", aquela que combate o medo. Deusa guerreira e profetisa que viveu na Ilha de Skye, na Escócia. Ensinava artes marciais para guerreiros que tinham coragem suficiente para treinar com ela, pois era dura e impiedosa. Considerada a maior guerreira de todos os tempos foi a responsável por treinar CuChulainn.
Mitologia Galesa
Para um melhor entendimento, devemos observar que o termo Galês se refere aos povos que habitavam o País de Gales.
- Arawn: É o rei de Annwn ou Annwfn (Outro Mundo), o submundo na tradição galesa, que é visto como um castelo sobre o mar "Caer Siddi" - Castelo de Fadas ou "Caer Wydyr" - Palácio de Vidro. Como Tir na nÓg, Annwn era um lugar de doçura e encanto. Arawn possuía um caldeirão mágico, descrito no poema do Bardo Taliesin, em "Os Espólios de Annwn", em que descreve a viagem de Arthur e seus companheiros, ao Outro Mundo, para resgatarem o Caldeirão da Abundância.
- Arianrhod: Era filha de Dôn e Belenos, irmã de Gwydion, seu nome significa "A Roda de Prata", a virgem que dá à luz os filhos Lleu e Dylan, depois de passar num teste de magia feito pelo seu tio, Math. Arianrhod é a Deusa das iniciações, da terra e da fertilidade, na tradição galesa. Senhora do renascimento, vivia num castelo estelar chamado "Caer Arianrhod", associada à constelação Corona Borealis, retratada nos contos do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy".
- Arddhu / Atho: O "Escuro" no folclore galês, que representa Green Man, o Deus da natureza - o Grande Corvo Divino - uma divindade que habitava as matas e as florestas. Deus dos bosques e animais, da fertilidade e da renovação. É representado por um homem com o rosto todo coberto por folhas verdes, descrito no romance Arthuriano em "Sir Gawain e o Cavaleiro Verde".
- Blodeuwedd / Blodeuedd: Foi feita a partir de nove tipos de flores silvestres, por Math e Gwydion, para ser a esposa de Lleu (filho de Arianrhod), que depois foi transformada em coruja por causa da sua traição contra o marido. Seu nome significa "Rosto de Flor", representada muitas vezes, como um lírio branco. Deusa do amanhecer nos mitos galeses, é retratada nos contos do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy".
- Bran: O "Abençoado", Bran era um dos grandes heróis do ciclo galês. Filho de Llyr, irmão de Manawydan e Branwen. Bran era um gigante, muito mais alto que uma árvore. Ao ser mortalmente ferido na coxa em um combate e, por ser muito grande, pediu que cortassem sua cabeça, que se manteve viva por algum tempo. Bran possuía o Caldeirão do Renascimento, com propriedades de restaurar a vida dos mortos. Associado aos corvos, Bran é o Deus da guerra, da caça e da música.
- Branwen: Era esposa do rei da Irlanda Matholwch, que foi punida pelo marido ao insultar o povo irlandês, mutilando seus cavalos. Branwen foi obrigada a trabalhar como copeira e da sua cozinha-prisão, treinou um estorninho para levar mensagens de volta ao País de Gales, descrevendo sua situação e pedindo ajuda. Bran liderou uma expedição para resgatá-la, mas foi ferido mortalmente e Branwen morreu de tristeza ao saber. Branwen é a Deusa galesa do amor, da soberania e da justiça, descrita nos contos do Mabinogion em "Branwen, a Filha de Llyr".
-Beli: É consorte de Dôn, conhecido também como Beli Mawr. Beli é um antigo Deus galês, considerado como um grande líder e o maior ancestral dos galeses. Corresponde a Belenus para os gauleses e Bilé para os irlandeses.
- Cerridwen / Ceridwen / Kerridwen: Deusa galesa, a Senhora do Caldeirão, é a sábia anciã que tinha a capacidade de mudar de forma. Cerridwen era esposa de Tegid Voel, o Calvo. Mãe da linda donzela, Creirwy, Morvran e do feio rapaz, Afagddu. As lendas nos contam que Merlin pode ter sido o sucessor do Bardo Taliesin que, na forma de Gwyon, nascera de Cerridwen e se tornara um grande mago, após tomar, acidentalmente, três gotas da poção do conhecimento que Cerridwen preparava para o filho Afagddu, no Caldeirão da Inspiração, conhecido como Awen, descrito em "Hanes Taliesin". Por isso, os Bardos galeses chamavam a si mesmos de "Cerddorion", os filhos de Cerridwen. O caldeirão é um dos principais símbolos de Cerridwen, associado à fertilidade, a regeneração e ao renascimento.
- Dôn: A Deusa-mãe galesa é consorte de Beli, filha de Mathonwy e irmã de Math, nos contos do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy". Dôn era mãe de Amathon, Arianrhod, Gilvaethwy, Govannon, Gwydion e Nudd. É considerada Deusa da terra, da fertilidade e da abundância.
- Dylan: Filho das ondas do mar, o menino dos cabelos de ouro é o Deus do mar para os antigos galeses. Filho de Arianrhod, irmão gêmeo de Lleu e sobrinho de Gwydion. Seu símbolo é um peixe prateado, dos contos do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy".
- Gwydion: Filho de Dôn foi o grande Druida dos Deuses, mestre da magia e das ilusões. Regia as mudanças de forma, a poesia e a música. Gwydion era irmão de Arianrhod e provavelmente, pai dos seus filhos, Lleu e Dylan. Foi ele quem ajudou Lleu a superar as maldições da sua mãe, além de ajudar a criar uma esposa (Blodeuwedd) para o sobrinho, do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy".
- Modron: Deusa-mãe galesa, seu nome significa "Mãe". Modron era a mãe de Mabon, mencionado no conto de "Culhwch e Olwen". É a Deusa da terra e da fertilidade.
- Lleu: Era irmão gêmeo de Dylan, filho de Arianrhod, sobrinho de Gwydion e consorte de Blodeuwedd. Deus da terra, seu nome significa "Luz" e foi associado ao Sol, nos contos do Mabinogion em "Math, filho de Mathonwy".
- Llyr: Antigo Deus galês do mar, equivalente a Lir, o Deus irlandês do mar. Consorte de Penardun, filha de Dôn, é o pai de Manawydan, - descrito nos contos do Mabinogion em "Manawyddan, o Filho de Llyr" - Bran e Branwen.
- Mabon: Deus da juventude, do amor e das nascentes dos rios. Mabon era filho da Deusa Modron e de acordo com os mitos galeses, foi sequestrado de sua mãe, quando tinha apenas três noites de vida, conforme os contos do Mabinogion em "Culhwch e Olwen". É ele quem ajuda Arthur na caça ao javali com sua magia, após ser libertado de "Caer Loyw", o Castelo Brilhante.
- Rhiannon: A grande rainha dos galeses, Rhiannon era a protetora dos cavalos e das aves. É a Deusa dos encantamentos e da fertilidade, equivalente a Macha, na mitologia irlandesa e Epona, na mitologia gaulesa. Rhiannon teve seu filho roubado logo que ele nasceu e foi acusada, injustamente, por sua morte. O bebê foi achado, anos depois e restituído a sua mãe, que passou a chamá-lo de Pryderi, descrito nos contos do Mabinogion em "Pwyll, Príncipe de Dyfed".
Mitologia Gaulesa
O termo Gaulês se designa a um conjunto de povos celtas que vieram de Gales e povoaram a Gália, que atualmente, corresponde aos territórios que vão da França, à Bélgica e à Itália setentrional. 
- Bel / Belenus / Belenos: Seu nome significa "Brilhante", é considerado o Deus do fogo e da luz, nos mitos gauleses. Belenos dá seu nome ao festival de Beltane e está relacionado às fogueiras que são acesas em colinas para promover a purificação. Foi associado à Beli na tradição galesa e a Bilé na tradição irlandesa.
- Cernunnos: Um dos mais antigos Deuses celtas, encontrado tanto entre os celtas continentais como os insulares. Deus da fertilidade, dos animais, do amor físico, da natureza, dos bosques e da abundância.  Seu nome é pronunciado como se tivesse um "k" - Kernunnos. É representado por um homem sentado na posição de lótus, cabelo comprido, de barba, nu e usando apenas um torque (colar celta) no pescoço ou ainda por um homem de chifres, como no Caldeirão de Gundestrup, que tem os seguintes símbolos: um torque em sua mão direita e a serpente na mão esquerda, rodeado por um veado à sua direita e um javali à sua esquerda. Cernunnos é o Guardião do Mundo Verde, conhecido como Green Man.
- Epona: Deusa gaulesa protetora dos cavalos, seu nome significa "Cavalo". Foi representada montada num cavalo ou numa égua, rodeada por potros e cavalos. Epona é a Deusa da fertilidade, da maternidade, da abundância e dos animais, associada a proteção, prestígio e poder. Podemos identificá-la com Rhiannon, na tradição galesa, e Macha, na tradição irlandesa.
- Sucellus: Deus gaulês da fertilidade, da cura e das florestas. Considerado como o rei dos Deuses na mitologia gaulesa, seu nome significa "Atacante". Usava uma coroa de folhas na cabeça, acompanhado por um cão de caça e carregava um grande martelo, usado para bater na terra e acordar as plantas, anunciando o início da primavera.
- Taranis / Taranos: É do Deus do trovão e dos relâmpagos, na mitologia gaulesa. Dizem as lendas que Taranis cruzava os céus numa carruagem de fogo, produzindo raios através das fagulhas que saíam dos cascos dos cavalos e o ruído do trovão através das rodas da carruagem. Mestre da guerra, seu símbolo é a roda, e que junto com Teutates e Esus formavam uma tríade das principais divindades guerreiras da Gália. 

Os Contos e os Mitos Celtas

Os mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana.


Os mitos são histórias universais e atemporais que de certa forma, refletem e moldam nossas vidas - exploram os desejos, os medos, os anseios e fornecem narrativas que nos lembram qual é o significado da vida - através das suas simbologias.

"Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estarmos vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de viver. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos. Os mitos nos ensinam que você pode se voltar para dentro de si para captar a mensagem dos símbolos." Joseph Campbel.

Os contos e os mitos do mundo céltico são crenças antigas que estão graficamente preservadas em vários textos ou manuscritos, que vão desde o irlandês "Lebor Gabála Érenn - O Livro das Conquistas" ao Mabinogion - coletânea escrita em prosa, no galês medieval - baseado nas tradições dos primeiros contadores de histórias, conhecidos como bardos, na tradição druídica.

As histórias serviam como elemento de educação para os jovens da nobreza céltica, pois seus personagens heróicos forneciam um modelo de comportamento guerreiro, próprio para juventude da época. Contudo, os mitos também forneciam representações lendárias de personagens reais, tão marcantes que foram preservados tanto na poesia bárdica como na memória popular.

Mesmo com a chegada do cristianismo, os contos orais não puderam ser destruídos, mas acabaram sendo adaptados ou cristianizados, onde antigos Deuses celtas tornaram-se um único Deus e sacerdotes druidas foram "substituídos" por monges católicos, isso, se restou algum druida vivo depois do século I.

Sendo que, o maior prodígio destas histórias são indiscutivelmente o fato de terem sobrevivido, durante séculos afora, fornecendo até os dias de hoje, informações sobre este rico e encantador mundo celta, para que assim, possamos transmiti-los às gerações futuras, preservando um pouco mais da cultura celta.

Mas, antes precisamos saber as definições básicas, entre: lendas, mitos e contos.

- Lendas: narrativa de caráter maravilhoso, em que fatos históricos são transformados pela imaginação popular ou pela invenção poética. As lendas freqüentemente contêm um elemento real.

- Mitos: narrativa popular ou literária, que coloca em cena seres sobrenaturais e ações imaginárias, para as quais se faz a transposição de acontecimentos históricos reais, fabulosos ou fantasiosos.

- Contos: como gênero literário de ficção é a narrativa folclórica em prosa, tanto oral como escrita, de menor dimensão das tradições, lendas, canções e costumes populares de um país.

Os mitos celtas foram preservados através das tradições orais e através dos registros escritos de monges cristãos, poetas e escribas medievais, a seguir em: Visão geral sobre os mitos celtas.

Por fim, a história dos celtas mantêm-se vívida, através da memória ancestral das lendas e dos mitos, contadas em verso e prosa, por séculos afora... Que assim seja!



Entre os Mundos
Cruzando os céus de leste a oeste, de norte a sul
A alma percorre caminhos por entre as sombras da Lua
Onde espíritos da noite, envoltos pela névoa de prata
Brindam o entardecer na densidade do tempo que recua
Revelações escondidas, abaixo e acima das emoções
Nos mitos que vão muito além das espirais do saber
Nesta dança frenética sem fim, envolvente e sedutora
Refletem belas formas que começam a desaparecer
Seguem adiante e mergulham nesse mais belo azul
Para despertar nas terras da aurora prometida
Raízes ancestrais que circulam por entre os mundos
Resgatando a magia das lendas, outrora perdida. Awen!

Posted by DJ BURP | às 14:00

2 comentários:

Rowena A. Seneween disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rowena A. Seneween disse...

Por gentileza, citar a fonte:
Templo de Avalon - Caer Siddi: http://www.templodeavalon.com
Grata!

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