CIÊNCIAS OCULTAS

                                                


                                                                                                                          
                                                                    


     
O significado da Alquimia pode assumir diversas conotações de acordo com o contexto em que é aplicada e da forma como é interpretada. A alquimia pode ser considerada uma modalidade de ciência, talvez a mais antiga da história da humanidade, que originou diversas outras, inclusive a química contemporânea. Porém, não é possível classificá-la apenas como uma ciência. Isto porque, na alquimia, inclui-se diversos elementos místicos, filosóficos e metafóricos; além de uma linguagem simbólica e interpretativa. Assim, podemos classificá-la genericamente como uma antiga tradição que combina química, física, arte e ocultismo.

Por esse motivo, a alquimia também é classificada como uma ciência ou arte hermética. Neste caso, hermético é uma alusão direta ao lendário Hermes Tris- megistus e significa de difícil acesso e compreensão, reservado apenas para os Iniciados nas artes ocultas.

Esta camada de incertezas relaciona-se também quando se discute a origem da palavra. Alquimia pode ser originada no vocábulo árabe kimia, que por sua vez, deriva-se da palavra egípcia keme, que significa terra negra e era uma das formas usadas para referir-se ao Egito, país onde provavelmente surgiu a alquimia. Ainda, pode-se considerar que a palavra tenha surgido da expressão árabe al khen que tem raiz grega na palavra elkimya e significa o país negro. Também cogita-se uma origem direta no grego, na palavra chyma que se relaciona à fundição de metais.

Os preceitos da alquimia se encontram condensados na misteriosa Tábua Esmeralda. A esmeralda era considerada a pedra preciosa mais bela e com uma simbologia maior.

Uma das características principais dos tratados alquímicos é a linguagem complexa e rebuscada na qual são redigidos. Durante a Idade Média, isto poderia ser um recurso usado pelos alquimistas para que não fossem alvo da perseguição da Santa Inquisição. Porém, também é possível que os autores tentassem ocultar as fórmulas, de modo que apenas outros alquimistas compreendessem.





Símbolos e objetivos



Na linguagem alquímica encontra-se associação de símbolos astrológicos com metais. O Sol, por exemplo, é associado ao ouro; a Lua representa a prata; Marte associa-se ao ferro enquanto Saturno ao chumbo. Animais (mesmo mitológicos como o dragão) e suas características também são usados para definir os elementos e as substâncias e os processos ao qual são submetidos. O unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra; o peixe representa a água; pássaros fazem referência ao ar e salamandras aludem ao fogo. Ainda, o sal é normalmente representado por um leão verde. A fase de putrefação do processo alquímico é representada por um corvo.

Esta simbologia alquímica é encontrada até mesmo mesclada com ícones do cristianismo medieval. Por exemplo, nas seculares catedrais góticas, há uma imensa combinação de imagens cristãs com animais, símbolos químicos e zodiacais.

De forma geral, pode-se definir três objetivos básicos da alquimia. O primeiro e, conseqüente- mente, mais importante é produzir a chamada Pedra Filosofal (ou mercúrio dos filósofos, entre outros diversos nomes) que seria uma substância obtida a partir de matéria-prima grosseira. Através da Pedra Filosofal seria possível atingir os outros objetivos, que seria a transmutação da matéria (metais inferiores transformados em ouro) e produzir o Elixir da longa vida, uma espécie de medicamento universal que tornaria a pessoa que fizesse uso, imune a qualquer doença. Os sábios alquimistas ocidentais afirmavam que a obtenção de ouro foi um fracasso pela falta de concen- tração e preparação espirituais dos que realizavam as experiências.

Ainda, entre os alquimistas, há uma idéia de criar vida humana de modo artificial. O homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) seria uma criatura de aproximadamente 12 polegadas de altura que poderia ser criada através de sêmen humano colocado em uma retorta totalmente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Assim se formaria um embrião. Possivelmente, Paracelso foi o primeiro alquimista a divulgar este conceito.

Porém, é provável que a verdadeira intenção dos alquimistas era promover uma profunda mutação na alma e na natureza humana. Este objetivo fica camuflado sobre fórmulas químicas e simbologias complexas.





A alquimia na história



Na China, a prática da alquimia estaria associada ao Taoísmo, que é o ensinamento filosófico-religioso chinês. Além da associação à filosofia védica, na Índia, por volta do ano 1000 a.C., que apresenta semelhanças com alguns fundamentos alquímicos. No Egito antigo, era considerada obra do deus Thoth (divindade associada à Hermes Trismegistus. Ainda no Egito, na cidade de Alexandria, a alquimia recebeu influência da filosofia neoplatônica, que se baseia no conceito de que a matéria, apesar de múltiplas aparências, é formada por uma substância única. Esta seria a justificativa para a transmutação almejada pelos alquimistas através da fusão dos quatro elementos fundamentais da Antigüidade: fogo, ar, água e terra.

De qualquer forma, a alquimia floresceu realmente a partir de meados do século VII, quando os povos árabes invadiram o Egito. Assim, o acervo de escritos alquímicos foram traduzidos para os idiomas árabes e sírio. Aproximadamente 300 anos depois, em meados do século X, os mulçumanos introduziram a alquimia no continente europeu, mais precisamente, através da península ibérica, na Espanha.

No século XIII, o conceito de quatro elementos primitivos e geradores da natureza (água, fogo, terra e ar), foi substituído pela idéia de que havia apenas três elementos básicos: mercúrio, enxofre e sal. O alquimista árabe Abu Musa Jabir ibn Hayyan al Sufi (conhecido como Geber) concluiu que os metais eram gerados no interior da Terra e compostos de mercúrio e enxofre. Acreditava-se que ouro e prata eram compostos de mercúrio e enxofre em sua forma pura. Enquanto os outros metais eram formados com enxofre impuro. Dessa forma, concluiu-se que, se através de um processo adequado, fosse possível "purificar" o enxofre, este poderia facilmente ser transmutado em ouro.

No ano de 1525, surgiu uma espécie de "escola de químicos" fundada por Paracelso. A Iatroquímicos (iatros, do grego, médico) tinha como objetivo principal encontrar um meio de que a humanidade se tornasse totalmente imune às doenças naturais. Porém esta causa poderia também ocultar a intenção de encontrar o chamado Elixir da longa vida. Foi também entre Paracelso e os iatroquímicos que surgiu o conceito de quintessência, que neste caso, seria equivalente ao "elemento divino".

Entre os alquimistas mais célebres da história, destacam-se Tomás de Aquino, Paracelso, Nostradamus, Nicolas Flamel e Francis Bacon. Além do lendário Conde de Saint Germain, que teria encontrado a Pedra Filosofal e o Elixir da longa vida.

A alquimia medieval é a responsável pelas bases da química moderna. Além disso, os alquimistas contribuíram imensamente com a medicina contemporânea e deixaram como legado de alguns procedimentos que são utilizados até hoje, como o "banho-maria" (em alusão à alquimista conhecida como Maria, a Judia). Porém, a maior influência da alquimia encontra-se nas ciências ocultas ocidentais agindo diretamente na sabedoria e natureza humana.
                                                              
A palavra astrologia tem origem no grego astrología e remete-se ao latim por astrologia. Numa definição acadêmica, pode se compreender a astrologia como "estudo ou conhecimento da influência dos astros, especialmente de signos, no destino e no comportamento dos homens".

Porém, sob uma definição mais precisa, a astrologia é uma protociência; ou seja, uma área de estudo que ainda não possui comprovação científica, que se baseia na observação do céu e dos astros com a finalidade de prever épocas mais adequadas para o plantio, colheita e pesca, por exemplo. De modo gradativo, o conceito de previsão astrológica se estendeu além das atividades de subsistência e passou a ser utilizado também para a política, monarquia, aspectos sociais e outras áreas de interesse comum às antigas civilizações.





Origem e história



A astrologia é peça fundamental da espiritualidade, arte e ciência, da maioria das civilizações da antiguidade. Em rústicas representações rupestres, é possível encontrar referências aos astros em função de prever fenômenos naturais. Até mesmo Stonehenge poderia ser um observatório astrológico.

Por este motivo, torna-se impreciso especificar um período ou região que a astrologia tenha surgido. Mas, há registros históricos no Egito e na Suméria (atual Iraque) que datam de 5000 a.C. e 4200 a.C.. Uma das mais antigas referências estava na biblioteca de Assurbanipal, na Babilônia. Ainda, considera-se que a possível origem das observações astrológicas seja na civilização do Vale do Indo, na Ásia Meridional.

Na China, segundo a crença, Buda, momentos antes de sua morte, convocou os animais para se despedir, mas apenas 12 compareceram e a astrologia chinesa foi fundamentada nestes 12 animais. A Índia passou a utilizá-la por volta de 1500 a.C. A astrologia dos astecas utilizava vinte signos. Os caldeus (tribo do litoral do Golfo Pérsico e componente do Império da Babilônia) já utilizavam a astrologia de um modo mais complexo. Seus estudos não se apoiavam apenas nos movimentos do Sol e da Lua, mas também de todo um conjunto de astros, seus percursos e análises matemáticas.

O misterioso personagem Hermes Trimegisto (autor do livro Caibalion) era versado em astrologia. O mapa astral pessoal mais antigo remete ao ano 409 a.C.. No ano 640 a.C, na Grécia, a astrologia se popularizou com Aristóteles, Hiparco e Ptolomeu. Em Roma, era peça fundamental da estrutura social e monárquica. Mas, com a queda do Império Romano no século V e a gradativa ascensão da Igreja Católica, a astrologia foi relegada à condição de "superstição pagã".

Na baixa Idade Média, a astrologia ressurgiu e se fortaleceu com o resgate da arte e filosofia da antiguidade. Nesse mesmo período, os conceitos matemáticos passaram a fundamentar o estudo da astrologia. O filósofo e teólogo alemão, Alberto Magno (1200 - 1280) potencializou o estudo da astrologia ao tentar separá-la de sua conotação pagã, atribuída desde o declínio do império romano. Tomás de Aquino (1225 - 1274) interpretou que os ensinamentos astrológicos eram complementares à doutrina cristã. Na universidade de Bolonha, em 1125, a astrologia atingiu a condição acadêmica.

Na Renascença, prosseguiu seu percurso sem intervenção da Igreja. Paracelso, Copérnico, Galileu, Newton e Nostradamus foram alguns de seus ilustres pesquisadores. O teólogo Isidoro de Sevilha foi um dos primeiros a distinguir a astrologia da astronomia. Esta divisão se tornou mais nítida no século XVI.

Entre os séculos XVIII e XIX, a astrologia continuou ganhando popularidade, mas caiu em descrédito quando usurpadores e charlatões passaram a aplicá-la sem recursos e conhecimento necessários. No século seguinte, com a ascensão da Sociedade Teosófica, liderada por Madame Blavatsky, a astrologia começa a reconquistar sua credibilidade. No final do século XX, é associada aos fundamentos psicológicos do suíço Carl Jung e, paralelamente, assume uma função menos voltada para a previsão e consolida-se como uma ferramenta utilizada também em técnicas psicológicas de autoconhecimento.





Astrologias



Não há uma fórmula distinta a qual possa ser aplicada para a prática astrológica. Por ser um campo de estudo tão antigo e amplamente difundido, é natural que cada cultura, período histórico e praticante, desenvolvam métodos próprios.

Pode-se citar como exemplo a Astrologia Chinesa, que está diretamente associada aos 12 signos do zodíaco chinês; sendo estes signos, representações de animais como o tigre, o dragão e o cavalo; além da combinação dos cinco elementos (água, madeira, fogo, metal e terra) e, obviamente, o posicionamento e o percurso de corpos celestes.

Ainda, a Jyotisha (que pode ser compreendida como ciência dos corpos estelares) é variação indiana da astrologia que utiliza o conceito de Zodíaco Sideral (com a posição astronômica atual dos corpos celestes) é uma importante prática dentro do complexo conjunto do hinduísmo. A astrologia ocidental, que utiliza o Zodíaco Tropical (representando a posição astronômica no século I), é baseada no sistema da Grécia antiga e na interpretação de Blavatsky no século XX. Há também a astrologia cabalística que combina os fundamentos da astrologia oriental com a o sistema religioso-filosófico da Cabala.

Entretanto, todos estão, de uma forma abrangente, solidificados sob uma mesma base: a posição e o percurso dos astros e planetas, como o Sol, a Lua e a Terra; e as relações matemáticas (trigonométricas) e geométricas entre este posicionamento e a movimentação. Esta interpretação baseia-se em três itens fundamentais: os aspectos astrológicos (relativos à trigonometria); posicionamento em relação aos signos do zodíaco e posicionamento em relação ao horizonte (neste caso, zênite e nadir; ou seja, parte superior e inferior da esfera celeste segundo o observador).

A conclusão (ou resultado) da combinação destes elementos pode receber diferentes abordagens. Por exemplo, a Carta Astrológica (também conhecida por Mapa Natal e Carta Natal, entre outras denominações) é a representação gráfica desta conclusão. Uma pessoa (um país ou uma cidade, por exemplo) é estabelecida como centro de um mapa celeste circular dividido pelas 12 casas do zodíaco. A configuração astronômica no momento do "nascimento" constitui seu mapa astrológico. Através da abordagem da Carta Astrológica, que é também abordagem mais popular da Astrologia, é possível determinar características pessoais, constituição de um país, desenvolvimento de um governo, entre outros. Em outro caso, segundo a abordagem da Astrologia Eletiva, é possível determinar o momento mais adequado para iniciar um empreendimento.





Mecanismo astrológico



Alberto Magno interpretava que os astros não influenciavam a alma humana; porém, eram capazes de influenciar o corpo físico e a vontade. Cornelius Agrippa (suposto autor do Heptameron) interpretava o universo como uma unidade (Unus Mundus) no qual o que ocorre no mundo celestial tem impacto na esfera dos fenômenos e é intermediado pela esfera dos corpos celestes. Deste modo, a relação entre o campo de atuação dos corpos celestes e o campo de atuação humana, não é apenas uma casualidade; mas sim uma analogia ou sincronicidade.

Correntes de estudo mais recentes buscam traçar uma linha de conectividade entre a astrologia, em seu "estado puro", e a comprovação científica. Desse modo, o posicionamento dos astros, data e hora de nascimento, criariam "campos eletromagnéticos" que influenciariam nas características e desenvolvimento de uma pessoa, por exemplo. Essas pesquisas utilizam métodos de estatística e probabilidade, analogia e sincronismo. Portanto, duas pessoas que nascem em condições astrais semelhantes, têm (teoricamente) as mesmas características de personalidade e tendem a seguir as mesmas profissões etc.

Um paralelo entre astrologia e biologia determina uma relação entre os ciclos circadianos (período de um dia no qual, por influência da luz solar, se baseia o ciclo biológico humano). A variedade de raios cósmicos que chegam à Terra também são alvos de estudos científicos e astrológicos.

Atualmente, o conceito mais amplo da astrologia já está bastante distante do que era há poucos séculos. Ainda é considerada, por alguns, como apenas uma superstição explorada com finalidades lucrativas. Porém, independentemente de sua classificação acadêmica ou de idéias superficiais, a astrologia consolida-se como uma das mais significativas vertentes de estudo e pesquisa de grupos esotéricos e uma importante ferramenta que complementa outras áreas de estudo, sejam elas científicas ou não.
                                                 
                                                        
A numerologia é um ramo de estudo incluso no que é comumente conhecido por Ciências Ocultas; ou seja, a combinação de conhecimentos de ordem mística com uma fundamentação científica. Deste modo, a numerologia pode ser compreendida como o estudo da significação oculta dos números e de sua influência em aspectos da vida cotidiana, da espiritualidade, do intelecto, entre outros.

A numerologia pode ter sua origem na gematria, um sistema que tem seus primeiros registros na Torá, datando de mais de três mil anos. A gematria consiste em atribuir um valor numérico às letras que compõem somente o alfabeto hebraico. O resultado da soma dos valores numéricos relacionados às letras de uma determinada palavra atribui a esta uma característica específica. Desse modo, a numerologia seria apenas uma "versão" da gematria adaptada ao alfabeto romano.

Por outro lado, a origem da numerologia pode estar nos estudos do filósofo e matemático grego Pitágoras (571/0 a.C – 497/6 a.C). Segundo o filósofo, os números são a essência física e etérea de tudo que há no universo. Os números trazem características próprias. Quando combinados ou calculados, expressam uma relação estreita e harmônica com fenômenos naturais como o ciclo das estações e movimento dos astros, ou com a harmonia musical e proporções geométricas. Entretanto, devido à biografia confusa e obscura de Pitágoras, parte de sua conceituação matemática combina-se com noções esotéricas. Por este motivo, seus pensamentos e estudos não são totalmente aceitos por pesquisadores.

A numerologia também é utilizada como uma ferramenta de autoconhecimento. É possível, utilizando-se como referência uma tabela que relaciona letras a valores numéricos, realizar a soma das letras que compõem um nome próprio ou dos números de uma data específica, e assim obter um resultado que deve ser reduzido a um dígito (de 1 a 9), que expressaria individualmente "vibrações numerológicas". Ainda, em algumas tabelas, considera-se resultados compostos por dois dígitos iguais, como 11, 22, 33, etc.

Também, de um modo geral, é razoavelmente comum a prática da alteração de nomes próprios com o propósito de que, sob o ponto de vista da numerologia, esta mudança produza vibrações mais favoráveis. Nestes casos, costuma-se alterar a grafia do nome, seja substituindo letras de fonética semelhante, acrescentando ou suprimindo preposições, entre outros.

Porém, não é possível afirmar que haja um número com características superiores a outros. Cada número possui propriedades positivas e negativas, que podem favorecer ou dificultar o desenvolvimento de determinadas atividades, situações, profissões, relacionamentos afetivos, financeiros, etc.





Abordagens Numerológicas



Apesar de ser estudada e praticada há milhares de anos, a numerologia mantém uma certa unidade estrutural; isto é, não sofreu muitas transformações ao longo da história, mesmo sendo adotada por escolas e tradições esotéricas bem diversificadas. Mas, ainda, há pelo menos dois ramos de abordagem da numerologia: Numerologia Pitagórica e Numerologia Cabalística.

A numerologia pitagórica baseia-se exatamente nos fundamentos matemáticos de Pitágoras. Não é considerada divinatória, mas apenas expõem tendências futuras em relação às vibrações produzidas por números. A numerologia pitagórica é mais popular devido ao fato de ser menos complexa, podendo ser praticada seguindo a orientação de tabelas. Entretanto, sua interpretação exige maior sensibilidade e experiência do praticante.

A numerologia cabalística combina-se com os fundamentos da Cabala (um complexo sistema filosófico-religioso dos hebreus). A prática e a interpretação desta abordagem da numerologia exige um conhecimento prévio da Cabala. Entretanto, assim como a numerologia pitagórica, se utiliza de cálculos e relações geométricas.

A numerologia cabalística busca referências no Antigo Testamento, para fundamentar sua própria origem, a importância dos números e sua relação com nomes. Por exemplo, "Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido." (Gênesis – Cap. 32 – Vers. 28). Segundo a interpretação de praticantes da numerologia cabalística, esse trecho bíblico faz uma referência clara à importância de que um nome seja alterado para que, conseqüentemente, suas vibrações numerológicas tornem-se mais positivas.

Apesar de tão antiga e conhecida, a numerologia ainda não é unanimidade entre estudiosos das Ciências Ocultas. Mas, seja qual for sua abordagem, a numerologia consiste em um campo de estudo muito amplo que necessita ser seriamente explorado. 
                                                  
                                                    
Podemos compreender como Cartomancia a arte de prever o futuro através de cartas, sejam elas do baralho tradicional, tarô ou baralho cigano.

Indícios da existência de jogos de carta são encontrados em várias partes do mundo: no Egito, no extremo Oriente, na Índia, no continente Americano, e até mesmo na Oceania.

A referência documental mais antiga já menciona uma data posterior a passagem do primeiro milênio: um dicionário chinês, publicado no ano de 1678 cita, numa de suas passagens, que em 1120 um oficial do imperador Huei-Song ofereceu-lhe um jogo de sua própria invenção, constituído por 32 tabletes de marfim relacionados com vários temas, como o céu, a terra, o homem e a sorte.
Posteriormente as cartas apareceram na Índia onde os naipes representavam as encarnações de VISHNU (um dos principais deuses do hinduísmo). Quando os ciganos, daquele país, migraram em direção ao Ocidente levaram as cartas e a cartomancia a toda a Ásia menor e ao Norte da África.

No século XVI, as cartas já eram conhecidas em toda as nações européias, se tornando uma verdadeira paixão, à qual recorriam os Reis e os Príncipes para saber o destino de seu reino.

A cartomancia têm sido há muito considerada um domínio especial dos ciganos, um povo nômade cujo folclore está repleto de lendas sobre poderes secretos e ritos mágicos. E assim como as artes milenares que eles praticam, a origem e o modo de ser ciganos permanecem encobertos pelo mistério, emaranhados em lendas e tradições.

Crê-se que os ciganos tenham vivido originalmente na Índia. Mas em algum momento do século IX, eles começaram um lento deslocamento para o oeste. No início do século XV, grandes grupos de pessoas de pele morena, vestidas exoticamente, alegando serem peregrinos religiosos vindos de um país chamado Pequeno Egito, começaram a aparecer na Europa. Esses "egípcios", ou gypsies, como eles se tornaram conhecidos em língua inglesa, foram de início bem recebidos pelos simpáticos habitantes. Mas algumas tribos errantes logo ganharam má reputação, como pequenos ladrões e trapaceiros sem convicção religiosa.

Considerados autoridades em assuntos ocultistas, aos ciganos foram creditados com freqüência talentos sobrenaturais para além mesmo de suas próprias crenças, e muitos negociaram com avidez seus supostos poderes com habitantes locais. Normalmente, apenas algumas moedas podiam comprar o que fosse: de ervas medicinais para dores a poções do amor e afrodisíacos. Mas foi pela prática das artes da profecia - leitura das cartas do tarô ou da borra do chá, da bola de cristal ou das linhas da mão - que os ciganos se tornaram mais conhecidos.

Atualmente, a arte da Cartomancia já se expandiu, não sendo mais atribuída apenas aos ciganos, embora a sua veracidade e funcionalidade sejam ainda profundamente contestadas por grande parte da sociedade.





O Baralho



O baralho comum contém 52 cartas, divididas em quatro naipes (paus, copas, espadas e ouros) com 13 cartas cada. Estas 13 cartas são compostas de números de um (ás) a dez, e mais três figuras (valete, dama e rei), o que resulta também em 40 cartas referentes à números e 12 cartas referentes à figuras. Estes números permitem uma grande variedade de associações simbólicas de diferentes tipos.

As 52 cartas do baralho podem ser relacionadas com as 52 semanas do ano, sendo que os naipes podem, por sua vez, serem associados às 4 estações do ano: ouros como primavera, paus como verão, copas como outono e espadas como inverno.

Alguns estudiosos do tema consideram que os quatro naipes também podem ser associados aos períodos de um dia ou de uma vida, sendo atribuída a cada um deles a regência de ¼ dessas extensões do tempo. O ás de cada naipe rege a primeira semana da estação do ano a ela relacionada. O rei tem a segunda semana sob sua influência, seguida pela dama, que rege a terceira. As regências se sucedem na ordem decrescente, até o dois, que domina a última semana da estação. Os quatro naipes podem ser associados também com os quatro elementos, (fogo, água, ar e terra) aspecto crucial na cartomancia.

As cartas vermelhas são geralmente associadas às características femininas, passivas, yin; as pretas relacionam-se, em geral, às características, masculinas, ativas, yang.





O Tarô



O tarô possui 78 cartas, composto por vinte e um trunfos, um curinga e quatro conjuntos de naipes com quatorze cartas cada — dez cartas numeradas e quatro figuras (uma a mais por naipe que o baralho lusófono).

Quando usado para fins divinatórios, cada carta é denominada de arcano, palavra que significa "segredos a serem desvendados" e foi incorporada pelos ocultistas do século XIX. Os trunfos e os curingas são conhecidos como arcanos maiores e as cinquenta e seis cartas de naipe são arcanos menores.

Os significados divinatórios são derivados principal-mente da Cabala e da alquimia medieval, mas atualmente há muitas outras vertentes provenientes da Astrologia, Numerologia e outros ramos.





O Baralho Cigano



Este baralho foi elaborado pelos ciganos com base no oráculo mais conhecido e difundido no mundo: o Tarô. Supõe-se que os ciganos até chegaram a usar as 78 lâminas do Tarô, porém, sentiram a necessidade de terem um oráculo próprio e resolveram adaptar as 78 lâminas em 36, surgindo assim, o Baralho Cigano.

Provavelmente a necessidade de se ter um oráculo próprio veio da natureza dos ciganos, que só usavam o que era deles e recusavam tudo o que fosse dos "Gadjos" (não-ciganos), pois não queriam ficar presos às idéias e símbolos que não pertenciam à sua cultura e cotidiano. Sendo assim, eles transformaram os desenhos, mudaram os significados do tarô original e puderam trabalhar com um instrumento próprio.

Encontramos, basicamente, no Baralho Cigano símbolos que falam da "vida ao ar livre", própria do mesmos: a natureza, rios, árvores, animais, etc.

Faz parte da tradição cigana a prática da adivinhação pelas mulheres. Normalmente elas possuem dois tipos de cartas: uma para o uso restrito ao grupo cigano, e outro para fazer adivinhação à comunidade.
Segundo referências da língua portuguesa, necromancia é a "suposta previsão do futuro através da comunicação com o espírito dos mortos". A origem etimológica remete-se ao grego: necro = morte e mancia = adivinhação.

Porém, por um ponto de vista mais objetivo, a necromancia, também conhecida como nigromancia, é, de uma forma bastante simplificada, uma prática de fundamento ocultista que busca manter contato com a alma dos mortos através de uma ritualização determinada, com o objetivo de elaborar previsões, obter aconselhamentos e orientações das almas na vida cotidiana ou até mesmo escravizá-las. Pois, há uma suposta crença que os mortos, por não estarem mais limitados à condição terrena, têm uma percepção mais apurada e a propriedade de predizer o futuro.

Há várias suposições a respeito de sua origem histórica. Mas é mais provável que tenha surgido no período pré-cristão nas crenças entre os povos asiáticos, principalmente os persas. No entanto, há também referências históricas entre os romanos e os gregos, e até mesmo entre os aborígenes americanos. Dessa forma, a Necromancia não está associada a nenhuma doutrina religiosa específica; sendo comum encontrá-la citada, com algumas variações não muito significativas, em diversas ramificações do ocultismo, em períodos cronológicos distintos e culturas distantes.

Mesmo as populares religiões afro-brasileiras têm em seus ritos evocações aos espíritos dos mortos; quando, por exemplo, o sacerdote recebe o espírito de uma entidade; ou seja, de alguém já falecido. Porém, se aplicarmos o mesmo raciocínio rígido, qualquer evocação à espíritos de mortos (como encontrada também no Espiritismo e em cerimônias xamânicas) é uma forma de prática necromante.





Rituais



Assim como em outras práticas ocultistas, a Necromancia reúne uma série de elementos necessários em seu cerimonial de evocação que costumam se estender por horas: cânticos, instrumentos, vestimentas e objetos que trazem uma representação simbólica; além de horários e dias específicos e outras referências que o praticante deve observar. Dessa forma, segundo as tradições necromantes, é possível promover uma conexão espiritual com a alma dos mortos que ainda mantém-se retidas num plano inferior. Esse contato só seria possível com almas recém desencarnadas ou que estejam vulneráveis no plano espiritual; ou seja, que ainda não tenham sido conduzidas ao Reino Divino. Contudo, a Necromancia, em sua acepção mais pura e antiga, traz alguns aspectos mais macabros que outras práticas adivinhatórias.

O uso de cadáveres, ou de, no mínimo, partes do corpo como ossos, dentes, unhas, pêlos e fios de cabelo, é comum à Necromancia. Neste momento não há simbolismos ou representações alegóricas. A presença física de um cadáver ou de seus restos mortais é freqüente nos rituais; pois, é o espírito daquele corpo que será evocado. Ainda, objetos pessoais do falecido, terra da sepultura ou fragmentos da lápide ou do esquife também são utilizados. Em relatos mais surpreendentes, o cadáver seria capaz de falar por si próprio. Em outras situações, a alma do falecido toma posse temporariamente do corpo de um dos praticantes. Enquanto que cerimônias ritualísticas em cemitérios com a violação de túmulos e a mutilação de cadáveres poderiam ser atividades corriqueiras aos praticantes da antiguidade.

Por outro lado, as evocações de caráter mais simbólico utilizam a Tábua de Ouija para interpretar as mensagens recebidas do além. Até mesmo o popular "jogo do copo", que se utiliza de um copo de cristal com sua abertura voltada para a superfície de uma mesa, sendo levemente conduzido pelos participantes, que seguem a orientação do espírito evocado, em direção à letras e números escritos em pedaços de papel e previamente distribuídos em círculo. Ainda, pêndulos e cartas também podem ser instrumentos de comunicação e interpretação para com os espíritos.

Entretanto, tais práticas geram uma grande exaustão em seus participantes e são extremamente perigosas senão forem bem conduzidas. Segundo os grimórios que abordam o tema, os praticantes estão sujeitos à possessões demoníacas, danos físicos e psicológicos permanentes, entre outros. Por este motivo, as cerimônias devem ser administradas somente por pessoas experientes e bem preparadas.





Citações Históricas



Umas das citações históricas mais recorrentes que pode ser interpretada como uma referência à Necromancia está na própria Bíblia. No primeiro Livro de Samuel, capítulo 28, quando o Rei Saul recorre à feiticeira de Em-Dor para comunicar-se com o falecido profeta Samuel, que prevê a morte de Saul. No Livro de Isaías (8:19/20) a citação é mais clara: "Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles". No apócrifo Macabeu II, há também uma citação direta a respeito do contato com os mortos.

Ainda, grandes nomes do ocultismo, como John Dee, Eliphas Levi e, obviamente, São Cipriano, teriam se envolvido com práticas necromantes.

De qualquer forma, a Necromancia, apesar de ser vista como uma aberração, é muito mais freqüente nos dias de hoje do que se possa supor, pois atende a uma curiosidade intrínseca ao ser humano: saber o que há "do outro lado".

 

Posted by DJ BURP | às 06:09

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