O LIVRO NEGRO DO SATANISMO

O LIVRO NEGRO DO SATANISMO


UM DOS MELHORES LIVROS DE ALTA MAGIA 
DO MUNDO
Os rituais mais secretos. As sacerdotisas. O que é preciso para se fazer o culto ao diabo: todos os materiais utilizados. As orações, ladainhas, invocações

Sumário

RITOS (imperativos)
1.  Oração de Preparo (do sacerdote)
2.  Oração Privada Diante do Altar
3.  Apresentação do Culto
4.  Início da Cerimónia
5.  As Cinco Glórias
6.  Consagração dos Assistentes
7.  Oração Coletiva
8.  Intróito da Confissão
9.  Apresentação do Cálice
10.  Apresentação do Cântico
11.  Oração da Unção
12.  Preparo para a Dança
13.  Credo Satânico
14.  Bênção Satânica
15.  Encerramento e Despedida 30 OFERTAS (imprescindíveis)
1.  Oferta das Velas
2.  Oferta do Fogo
3.  Oferta do Sal
4.  Oferta da Água
5.  Oferta do Vinho
6.  Oferta do Sémen
7.  Oferta do Menstruo
8.  Oferta do Incenso
9.  Oferta das Brasas
10.  Oferta dos Perfumes
11.  Oferta do Bolo
12.  Oferta do Álcool

14.  Oferta das Flores
15.  Oferta dos Frutos
16.  Oferta das Plantas
17.  Oferta de um Ser Vivo
18.  Oferta de Sangue
19.  Oferta de Carne
CONSAGRAÇÕES DE INSTRUMENTOS
1.  Consagração do Templo
2.  Consagração do Altar
3.  Consagração do Livro Negro

5.  Consagração das Vestes Sacerdotais
6   Consagração do Capuz
7.  Consagração da Terra (Chão)

9.  Consagração do Giz
10.  Consagração do Círculo Mágico
11.  Consagração dos Frascos
12.  Consagração das Vasilhas
13.  Consagração da Bacia
14.  Consagração do Prato
15. Consagração da Colher
16.  Consagração do Garfo
17.  Consagração do Cutelo
18.  Consagração do Punhal
19.  Consagração da Espada
20.  Consagração do Azorrague
21.  Consagração da Vara (Cetro)
22.  Consagração do Cálice
23.  Consagração do Fogareiro
24.  Consagração do Braseiro
25.  Consagração do Turíbulo
26.  Consagração do Perfumador
27.  Consagração das Tenazes
28.  Consagração do Acendedor
29.  Consagração da Lanterna
30.  Consagração do Bastão (Bengala)
31.  Consagração dos Instrumentos Musicais
32.  Consagração do Pentagrama
33.  Consagração dos Chifres
34.  Consagração da Pedra
35.  Consagração do Crânio
36.  Consagração da Concha
37.  Consagração do Espelho RITOS (variáveis)
1.  Oração Para a Bênção do Novilúnio
2.  Oração Para a Bênção do Plenilúnio
3.  Oração Para a Bênção dos Pontos Cardeais
4.  Oração Para a Bênção do Equinócio
5.  Oração Para a Bênção do Solstício
6.  Oração Para a Bênção do Domingo
7.  Oração Para a Bênção da Segunda-feira
8.  Oração Para a Bênção da Terça-feira
9.  Oração Para a Bênção da Quarta-feira
10.  Oração Para a Bênção da Quinta-feira
11.  Oração Para a Bênção da Sexta-feira
12.  Oração Para a Bênção do Sábado
OFERTAS (variáveis)
1.  Oferta de Penas
2.  Oferta de Cabelos (pêlos)
3.  Oferta da Criança
4.  Oferta de Óleo
5.  Oferta de Mel
6.  Oferta de Leite
7.  Oferta de Urina
8.  Oferta de Gordura
9.  Oferta de Fezes
10.  Oferta de Unhas
11.  Oferta de Ossos
12.  Oferta de Cerdo
13.  Oferta de Pólvora
14.  Oferta de Enxofre
1 5. Oferta de Sementes
16. Oferta de Madeira
OUTRAS CONSAGRAÇÕES
1.  Consagração dos Panos
2.  Consagração da Areia
3.  Consagração das Moedas
4.  Consagração do Talismã
5.  Consagração da Cinza
6.  Consagração do Cordão
7.  Consagração do Pavio
8.  Consagração dos Metais
9.  Consagração do Pergaminho
0.  Consagração do Papel
1.  Consagração da Tinta
2.  Consagração da Pena (Caneta, Pincel)
 CÂNTICOS
1.  Hino a Satã
2.  Salmos a Satã
3.  Pentacróstico
4.  Invocação
5.  Cântico
6.  Campeões
7.  A Bandeira
8.  Invocação a Lusbel
(APÊNDICE)
Lista dos 99 Elementos Utilizados Pelos Fiéis Adoradores
Elementos Contidos em Frascos
Elementos Contidos em Vasilhas



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O LIVRO NEGRO DO SATANISMO
Este livro, secreto até agora, é o resultado final de uma compilação de dados que se
transmitiram durante séculos e séculos. Desde a sua primeira versão, ele foi escrito com
tinta verde. E o verde tornou-se uma tradição neste manual de satanismo. Tradição que
mantemos, fiel ao original.
O Preâmbulo
Dos Ritos: É muito difícil descrever o uso dos ritos satânicos devido a uma ausência de
coordenação. Contudo, pode-se apresentar, dentre as muitas, cinco cerimônias
características oferecidas à quíntupla Satã, Lúcifer, Lusbel, Asmodeus e Belial. Em cada um
desses ritos, um dos assistentes (aquele que se pretende honrar), inteiramente nu, é untado
pela sacerdotisa (com mel, leite, óleo vegetal, gordura animal ou uma mistura de sêmen,
mênstruo, sangue, vinho e água). Depois das consagrações, cada assistente irá lamber-lhe o
corpo (não na cabeça, mãos, pés, pernas e joelhos). O “lambedor” receberá especiais
bênçãos das potestades infernais.
A unção do mel é feita nos equinócios (com a respectiva oração acrescida à do dia da
semana); a do óleo vegetal, feita nos solstícios; a do leite nos novilúnios; a da gordura
animal, nos plenilúnios; e, finalmente, cada dois meses (seis vezes ao ano) é realizada a
unção mista (sêmen, mênstruo, sangue, vinho e água) com a Oração dos Pontos Cardeais,
acrescida com a do dia da semana. Antes do cerimonial são apresentados em coro as ofertas
dos respectivos elementos. Todas as reuniões são cruentas (pelo menos, um ente vivo deve
ser sacrificado) e, em cada três anos, a história deve ser uma criança de menos de um ano,
possivelmente, não batizada.
O Credo Satânico é pronunciado às sextas-feiras e, geralmente, nesse dia há o preparo para
a confissão pública, na qual o crente, em voz baixa, anuncia os atos praticados para maior
glória das forças infernais.
A comunhão consiste em beber de um cálice comum (sangue?) e manducar uma bola de
carne crua (de animal?); há uma variante na qual um pedaço de bolo é untado com uma
mistura (fezes, urina e ovo batidos)
A persignação é imitação da católica, apresentando cinco toques no corpo. A cruz é abolida
ou apresentada invertida. A estrela de cinco pontas invertida é o seu signo.
O total das cerimônias é de treze, distintas uma das outras, com uma série de variantes. Num
culto comum os ritos se processam como são expostos e numerados de 1 a 15, na primeira
parte do Índice. Excetuado os números 8 (Confissão Pública) e 13 (Credo Satânico)
envolvem todo o cerimonial diário, que se inicia com a Oração Privada Diante do Altar até
o Encerramento, a fim de preparar a assistência para a orgia final a meia-luz. Como última
observação, durante a bênção satânica, completamente nus, os fiéis jogam-se no chão,
colocando a língua no solo.
Num sentido geral, o culto se fundamenta em solicitar a proteção de Satã e outras entidades
das trevas e incitar suas hostes à prática da malignidade contra os cristãos que os
perseguiam, levando os seus adeptos à fogueira.
Há ainda um linguajar especial no qual “Ethan!” corresponde ao significativo “Amém!” do
catolicismo: “Har Har!” indica incitação, como se dissesse “Mais Mais!”; “Escriba”
significa “copiador de textos”; “Babu” é a voz semita, determinando “ancião”, “sábio”,
“ilustre”, “mestre”, etc., e tem origem em “Bab”, significando “porta”, “entrada”,
“iniciação”.
Do Livro: O Livro Negro em si mesmo é uma coletânea de trabalhos de vários Babus e foi
escrito – segundo os informes – em diferentes épocas e os satanistas asseguram que no ano
1000 já estava completo e, desde esse tempo, nada mais foi acrescentado ou diminuído.
Representa a reação do podre, enjeitado, perseguido, injustiçado, diante de uma sociedade
egoísta manejada pelos nobres e pelo clero. O deus dos ricos não atendia aos desgraçados,
e estes buscaram, na própria fé cristã, a proteção de uma entidade poderosa que combatia a
divindade. Por esse motivo, o satanismo reage contra a Trindade, e, em particular, contra
Jesus e a Virgem Maria. Nascido no ambiente cristão da Idade Média, o satanismo, na
realidade, é o próprio catolicismo visto às avessas, esforçando-se por tornar mais
execráveis, tétricas e sexuais as idéias de pureza, esplendor e castidade preconizada pela
Igreja.
A obra nunca foi impressa, mas é copiada de congregação em congregação por escribas
especializados. Escrita em letras cursivas, redondas, em tinta verde, nenhum homem que não
seja satanista poderá vê-la e poucos são entre os adeptos que podem manuseá-la. É proibida
sua cópia nas mais ligeiras linhas por pessoas que não pactuaram com Satã. Perseguidos
pelo Santo Ofício (a Inquisição), os satanistas ocultavam seu missal para a posteridade
execranda.
Em síntese, o Livre Negro é uma cópia missal católico. Fundamenta-se no número cinco
como o cristianismo adotou o três e o sete. Por esse motivo apresenta cinco entidades
superiores: Satã, Lúcifer, Lusbel, Asmodeus e Belial.
Do Satanismo: Ignora-se a relação do satanismo com a astrologia, porém deve haver
entrelaçamento, visto ser mantida a idéia dos metais correspondentes aos planetas e dias da
semana; incluem-se neste grupo as festividades lunares (novilúnio e plenilúnio) e os
equinócios e solstícios. A magia mimética faz-se representar no culto maldito em diferentes
ritos.
A própria mitologia cristã, admitindo a luta entre os anjos bons e mais, a tentação sofrida
por Jesus, etc. dá os elementos fundamentais da seita. Em última análise, esta crença está
inserida no catolicismo e não será extinta enquanto houver fé nas Sagradas Escrituras.
Na invocação do novilúnio, Diana e Selene (da mitologia greco-romana) e Lilith (dos mitos
judaicos) estão presentes, parecendo que somente neste rito são pronunciados esses nomes.
Distingue-se da bruxaria por ser esta anterior ao cristianismo e tributar suas honrarias aos
deuses de paganismo, especialmente Diana, Luna e Vênus.
Dentre os autores que estudaram o satanismo, salientam-se Guaita, Garçon, Michelet,
Papus, Eliphas Levi, etc. O último apresenta uma gravura na qual mostra que a sombra da
mão que abençoa pode representar o Diabo. Helena Blavatsky assegura que o Diabo é o
inverso (ou ausência) de Deus como as trevas o são da luz.



Bem e Mal (prefácio)

Deus e o Diabo constituem uma bipolaridade natural, concebida pela religião para explicar
toda a estrutura dos fenômenos da natureza. A Deus são atribuídos todos os elementos bens,
perfeitos e felizes, concedendo-se ao Diabo a malignidade, a perversão e a imperfeição.
Contudo, ainda hoje é difícil determinar o que se poderia designar como bem e como mal,
pois que essas duas idéias se intercalam entre si e, apesar de opostas, perpetuam-se em suas
atributos, alteram seus predicados numa inconstante e eterna interdependência.
O que agora pode ser apontado como “bom e bem”, dentro de alguns dias transformar-se-á
num tremendo “mal” e, vice-versa, o que pode ser apontado por “mal e maldade”,
determinará dentro em pouco um excelso “bem”.
Quando se toma uma injeção, tem-se a dor da agulhada; o ato de injetar o liqüido é,
geralmente, doloroso; porém as conseqüências advindas deverão ser de cura, saúde, bemestar,
etc. Um sorvete tomado quando se está suando é um agradável benefício que anula o
estado ressequido da garganta e nos satisfaz; todavia, essa satisfação pode trazer-nos gripe,
dor de garganta ou enfermidade pior.
Essa transposição de bem e mal e vice-versa, no setor material, tem correspondência nos
outros setores, moral e espiritual. Conforme os conceitos filosóficos, o Bem deve estar de
acordo com o dever, a perfeição, a felicidade, a virtude, a honra, a justiça, a harmonia, e a
utilidade, aos quais geralmente, são acrescidos, nem sempre corretamente, o amor, a
beneficência, a conveniência e a vantagem, enquanto o Mal determina o que prejudica,
causando pesar, aflição, calamidade, prejuízo e dor.
Todavia, perfeição e felicidade são conceitos morais inexistentes praticamente, e apenas
aceitos num sentido ideal. Virtude, honra, justiça e dever representam idéias variáveis de
acordo com a ocasião, conforme uma suposta necessidade, não existindo uma perfeita
delimitação das mesmas.
Harmonia é um indicativo excessivamente vago que varia de homem para homem e de
instante a instante. Utilidade, talvez o mais importante dos conceitos morais expostos,
igualmente transgride o seu significado, diante de uma enorme quantidade de predicados.
Os vocábulos seguintes (amor, beneficência, convivência e vantagem) são fundamentados
num alicerce egoísta, no qual os interesses próprios são inexoráveis e também possuem
variável determinação.
Num sentido geral, é preciso que algo seja encarado como “útil” para que seja um bem e
esse predicado de utilidade varia conforme afeta ou beneficia os próprios interesses.
O Bem é o objetivo mais alto para onde podem convergir os esforços reunidos da
sensibilidade, vontade e inteligência, asseguram os moralistas. Pode ser dividido em:
1) bem físico, fundamentado nos sentidos, determinando a satisfação, o prazer e o bemestar;
2) bem moral, alicerçado na vontade e no caráter, resultando uma virtude, ou hombridade;
3) bem espiritual, baseado no intelecto e na fé, pretendendo trazer à razão a alta verdade e
finalidade das coisas.
Os filósofos não estão de acordo quando à determinação do Bem. Arístipo, por exemplo,
admite que o sumo bem é o prazer imediato; Epicuro considera-o um interesse pessoal.
Aristóteles aponta-o como felicidade resultante da atividade humana; Augusto Comte
apresenta-o como altruísmo; e os estóicos declaram-no uma virtude.
Conforme Nietzsche, a idéia do Bem varia de acordo com a pessoa que emite o juízo:
"Perguntai aos escravos o que é mau e apontarão para o personagem que para a moral
aristocrata é bom, isto é, o poderoso, o dominador!. Este filósofo ainda assegura que a
expressão latina “bonus” (bom) pode ser traduzida por “guerreiro”, levando a voz à sua
antiga forma “duonus”, de “duo” (disputa), de onde se formou “duellum” (duelo), e a
palavra “bellum” (guerra) nos trouxe belo, beleza.
Afirma Nietzsche que as expressões “nobre e nobreza” são aceitas no sentido de “correto,
bom, perfeito”, e têm fundamento nos próprios vocábulos que apresentam a aristocracia
(governo dos escolhidos), as estirpes feudais, do mesmo modo que é encontrada no gaélico
celta a voz “fin-gal”, significava “cabelos ruivos”, característica dos celtas-galos, povo que
dominava os homens de cabelos negros, consequentemente, “servos, não-nobres, não-bons”.
O filósofo ainda afirma que o latim “malus” (mau) se relaciona com a voz grega
“melas” (negro), designando o homem de pele negra ou de cor morena e cabelos pretos,
sediado especialmente no Norte africano, de onde eram trazidos os escravos. Apresentou
também o vocábulo “shlicht” (plebeu, simples, labrego). Aceita este pensador que todo o
mal é justificado desde que um deus o aprove e se satisfaça contemplando-o .
Nas guerras primitivas, os nomes dos povos vencidos tornavam-se sinônimos de mal, mau,
escravo. A voz “eslavo” tem raiz trechos nos quais Deus se compraz com a morte do vencido
e, mesmo, ordena alterações ou inversão desses conceitos é encontrado na atitude do papa
Inocêncio III, que se revoltava contra o nascimento de crianças e apresentava o catálogo
das fraquezas e misérias do homem “na procriação impura, na nutrição nauseabunda no
seio da mãe, na má qualidade da substância de onde provém o humano: mau cheiro,
secreção de humores, urina, excrementos”.
Nietzche afirma categoricamente que todas as coisas tidas por boas já foram más em outros
tempos e vice-versa.
Leibnitz apresenta três classes de mal: o moral, o chamado “pecado”; o físico, origem do
sofrimento; e o metafísico, fundamentando na imperfeição inerente ao homem.
Para a teologia, o mal é a privação do bem e este é a suma benção da divindade; assim, o
mal seria a supressão da bênção divina.
Na teoria evolucionista, o mal se constitui numa fase necessária para a realização de melhor
marchar progressiva, em demanda de um “mal-menor”, visto ser impossível alcançar-se o
bem real. O monismo aceita a idéia de que o mal é naturalmente intrínseco no homem e o
bem somente pode ser manifestado por um esforço especial.
Num sentido geral, o mal é a imperfeição, por três motivos: pela impossibilidade de
alcançar o estado do bem; pela sua tentativa de adquirir alguma coisa ideal que nunca é
alcançada ou concluída; pela oposição ao conceito da perfeição, que simboliza o bem, o
qual a humanidade se interessa ou se dispõe a procurar. Se o mal não realiza, não conclui,
não aperfeiçoa, torna-se o nada, visto que aquele que não faz, não tem.
Se Stuart Mill apresenta o bem como de interesse geral, deve-se admitir que o mal age de
acordo com o interesse particular.
O fato de os primitivos personificarem as idéias determinou a simbólica existência de
entidades que representavam qualquer fator demonstrativo de desagrado, sofrimento,
derrota, doença, etc. O horror pelas coisas que determinariam temor (escuridão,
desconhecimento, abismo, serpente, etc.) e pelas que causariam ou fomentariam dores
(morte, espinhos, enfermidades, ferimentos) foi personificado em seres que se opunham aos
desígnios dos supostos deuses protetores que, aos poucos, se tornaram símbolos de fatores
benéficos (proteção, vitória, saúde, etc.)
É preciso lembrar que, quando o homem inventou as almas e os deus, descurou das suas
qualidades morais. Uma alma poderia ter pretensões simultâneas de beneficiar e de trazer o
mal aos crentes. Este pronunciado temos pelas “almas do outro mundo”, nos tempos atuais,
tem seu fundamento nesse conceito. Na realidade, a idéia ambivalente do Bem-Mal, em
todos os seus graus variáveis, somente foi separada quando se constituíram as religiões
organizadas.
Pode-se mesmo aceitar que todos os deuses possuíam maiores propensões à prática do mal
do que à do bem. Este era um prêmio raríssimo concedido a determinado grupo privilegiado
de adoradores. A primitiva adoração tem fundamento no horror e temor emanados pelos
deuses que os próprios homens inventaram (“Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”
– Carta aos Hebreus, 10, 31). Talvez tenham passados alguns milhares de anos antes de o
primitivo conceber a idéia de um deus justo e equânime, que premiava os seus adoradores e
castigava os que não o adoravam. Ainda hoje se encontram povos que admitem a
necessidade de prestar cultos aos deuses perversos em primeiro lugar para, em seguida,
reverenciarem os numes tidos por bons. Os iêzidas, da Turquia Asiática, adoram Satã sob a
figura de um pavão, afirmando que deus, por ser bom, não exige reverência e submissão,
mas aquele, por ser mau, obriga-os a manter uma constante adoração. O candomblé, a
umbanda, o vodu e outras linhas africanas mantêm o costume de reservar em primeiro lugar
as comidas sagradas a Exu, Legbá e demais entidades de caráter vingativo. Somente depois
de estas serem servidas, os crentes passam a reverenciar os outros orixás e lois.
Curiosamente, Satã não é apresentado, no Velho Testamento como um ser potente, mas
como um servo obediente, inteiramente sob a vontade de Deus. Nas nove citações do Livro
de Jó, sempre age de comum acordo com a divindade. As duas citações restantes (I Crôn.
21.1 e Zacarias 3: 1-2) ainda o mostram como um espírito tentador, sem demonstração da
sua futura potência, que viria a adquirir com o aparecimento do cristianismo. No Novo
Testamento sua personalidade se engrandece e seu valor se torna quase equivalente ao da
própria divindade. A voz de Satanás, doze vezes citada no Velho Testamento, tem origem no
nome Satã, de Sheitan (acusador, provocador). Alguns estudiosos acreditam que essa
entidade foi incluída nos escritos judaicos somente depois da volta do Cativeiro de
Babilônia. A Caldéia e Assíria possuíam em deus do Vento Norte que, quando assoprava,
trazia miasmas e, quiçá, febres entre os povos que o temiam. Nomeado Stanu, pelos assírios,
passou a ser chamado Satanu pelos babilônios. Deste apelativo originou-se a expressão
Satan e, posteriormente, Satanás. No Novo Testamento encontra-se como sinônimo de anjo
pervertido o nome Diabo, derivado de Diabolos (o que se opõe); a voz grega Aaimov
(Denon), significando “espírito”, como o cristianismo passou a representar Satã e seus
subalternos. Sabe-se que Asmodeu é um espírito perverso que teve origem entre os persas,
que aceitavam a existência de Ashma-Daeva, um servo de Angro-Mainyus, o espírito das
trevas ou mal. A realidade se impõe ao sustentar-se que o povo judeu, primitivamente,
desconhecia uma entidade especificamente maléfica, pois para eles, Deus era o Senhor e
poderia conceder o bem e, igualmente, o mal.
Com o advento do cristianismo, Satã alcançou imensos poderes e quase se tornou
equivalente à divindade. Com o aparecimento do islamismo, este conceito foi incorporado à
crença muçulmana e Sheitan se tornou uma entidade poderosa. A expressão alcarômica
“Iblis”, aludindo a Satã, em origem na crença pré-islâmica da existência de um espírito
maléfico com esse nome. Logo Sheitan e Iblis se fundiram, aumentando ainda mais a
potência maligna.
O cristianismo adotou os vários tipos de infernos (inferius) das diversas religiões, e o
islamismo, igualmente, aceitou essas mansões, que eram lugares de suplícios reservados aos
malvados, como o céu (paraíso) era o local dos bem-aventurados. Fruto do paganismo
egípcio-greco-romano, o inferno acabou por ser reino de Satã, o rival da Trindade, o
tentador perpétuo dos crentes. Aceita a escatologia cristã, que nas proximidades da volta de
Jesus à Terra, os anjos encetarão uma luta, na qual dominarão Satanás e seus asseclas,
acorrentando-o por mil anos.
Hoje há uma infinidade de seres diabólicos, de poderes variáveis, porém terríveis e, muitas
pessoas, temendo-os e respeitando-os, procuram evitar a sua cólera e sua vingança. Aos
poucos tornaram-se veneradores do terrível deus maléfico e deixaram para trás as crenças
nas divindades disseminadoras da luz. Estas, pela sua natural tolerância e misericórdia, não
procuram prejudicar os entes humanos; por este motivo não exigem adoração ou adulação.
Todavia, as entidades infernais não ciosas e se esforçam por serem veneradas, prometendo
colaborar com os que as bajularem. Eis, em poucas linhas, o fundamento da crença e
adoração aos espíritos maléficos.
Babu Sotito Jaideaux

Posted by DJ BURP | às 11:26

1 comentários:

fa perkoski disse...

JA TIVE ACESSO AO LIVRO NEGRO NO CONVENTO DOS FREIS,NAO TRABALHO MAIS LA.TENS COMO ME PASSAR O CREDO,POIS TUDO QUE FALA LOGO ACIMA TENS NO LIVRO,MAS PRECISO DO CREDO(CREIO).

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