Conheça o vazio de Boötes: um dos lugares mais misteriosos do Universo
Embora o universo ainda seja um grande desconhecido — e o homem tenha explorado muito pouco desse gigante —, sabemos que ele contém um
incalculável de objetos, formando galáxias e outras regiões repletas de
corpos celestes. Inclusive, conhecemos e observamos atentamente
diversas delas. Porém, de acordo o do io9, existe uma região muito intrigante no espaço, conhecida como Vazio de Boötes, que não se parece nenhuma outra região que já tenha sido observada. Trata-se de uma gigantesca esférica praticamente vazia, contendo apenas algumas poucas galáxias perdidas. Descoberto em 1981 pelo astrônomo Robert Kirshner e sua equipe,
o vazio se encontra próximo à constelação de Boötes, medindo
aproximadamente 250 milhões de anos-luz de diâmetro, sendo o maior vazio
conhecido do universo.
Tem alguém aí?
Menos de 60 galáxias foram encontradas no Vazio de Boötes, e pela sua
proporção os astrônomos estimam que deveriam existir pelo menos 10 mil
delas, considerando a média de distância mínima entre outras galáxias do
universo.
Depois ter sido mapeada, os cientistas
ficaram intrigados pela esparsa quantidade de estrelas na região. Tão
esparsa que, se a Via Láctea fosse localizada lá, provavelmente
acreditaríamos estar sozinhos no Universo por muito e muito .
Por que o vazio existe?
Na verdade, ninguém sabe explicar como o vazio se formou, mas os
astrônomos acreditam que essa região anômala pode ter sido formada por
uma combinação de muitos outros vazios ,
que se uniram como se fossem bolhas de sabão, formando uma única bolha
maior. As poucas galáxias que permaneceram por lá provavelmente são as
que existiam nas fronteiras desses vazios . Além disso, a
de objetos nessa região do espaço torna a interação entre partículas
muito, muito rara. Quem sabe um dia o Vazio de Boötes não se transforme
em uma de testes para de interestelares que viajam à da , já que não existe muito risco de bater em nada?
A cada dia, novas descobertas assustam e deixam os astrônomos perplexos.
Muitas coisas que sabemos sobre o universo ainda não têm explicação,
enquanto outras funcionam de maneira tão perfeita ou misteriosa que nos
fazem crer em algo maior. Confira algumas das coisas mais interessantes sobre o universo em que vivemos:
1 – O universo é (muito) antigo
O universo começou com o Big Bang. Os cientistas estimam que ele
tenha cerca de 13,7 bilhões de anos (para mais ou menos 130 milhões de
anos). Os astrônomos fizeram esse cálculo através da medição da composição
da matéria e densidade de energia no universo, o que lhes permitiu
determinar quão rápido o universo expandiu-se no passado. Como
resultado, eles poderiam “voltar no tempo” e identificar quando o Big
Bang ocorreu. O tempo entre a explosão e agora compõe a idade do
universo.
2 – O universo está expandindo
Na década de 1920, o astrônomo Edwin Hubble fez a descoberta
revolucionária de que o universo não é estático, mas sim está se
expandindo. Por muito tempo se pensou que a gravidade da matéria no universo
tornaria essa expansão lenta, ou até mesmo faria com que ela se
contraísse. Em 1998, o Telescópio Espacial Hubble estudou supernovas muito
distantes e concluiu que, há muito tempo, o universo estava se
expandindo mais lentamente do que acontece hoje. Esta descoberta
intrigante sugeriu que uma força inexplicável, chamada energia escura, é
o motor da expansão acelerada do universo. Enquanto a energia escura pode ser a força estranha que está puxando o
cosmos em velocidades cada vez maiores, ela continua a ser um dos
maiores mistérios da ciência, já que sua detecção permanece indefinida.
3 – O universo está acelerando
A misteriosa energia escura não só pode ser a condução da expansão do
universo, como parece estar puxando o cosmos em velocidades cada vez
maiores. Em 1998, duas equipes de astrônomos anunciaram que não o
universo não estava apenas em expansão, mas acelerando também. Segundo os pesquisadores, quanto mais longe uma galáxia está da
Terra, mais rápido ela está se afastando. A aceleração do universo
também confirma a teoria de Albert Einstein da relatividade geral, e,
ultimamente, os cientistas têm revivido a constante cosmológica de
Einstein para explicar a estranha energia escura que parece neutralizar a
gravidade e fazer com que o universo se expanda a um ritmo acelerado. Três cientistas ganharam o Prêmio Nobel 2011 de Física por sua
descoberta de 1998 de que a expansão do universo estava se acelerando.
4 – O universo pode ser plano
A forma do universo é influenciada pela luta entre a força da
gravidade (com base na densidade da matéria no universo) e sua taxa de
expansão. Se a densidade do universo exceder um certo valor crítico, então o
universo seria “fechado”, como a superfície de uma esfera. Isto implica
que o universo não é infinito, mas não tem fim. Neste caso, o universo
eventualmente irá parar de se expandir e começar a colapsar sobre si
mesmo, em um evento conhecido como “Big Crunch”. Se a densidade do universo for menor que o valor de densidade
crítica, então a forma do universo seria “aberta”, como a superfície de
uma sela. Neste caso, o universo não tem limites e vai continuar a se
expandir para sempre. No entanto, se a densidade do universo for exatamente igual à sua
densidade crítica, então a geometria do universo é “plana”, como uma
folha de papel. Nesse caso, o universo não tem limites e se expandirá
para sempre, mas a taxa de expansão irá gradualmente se aproximar de
zero depois de uma quantidade infinita de tempo. Medições recentes
sugerem que o universo é plano, com uma margem de cerca de 2% de erro.
5 – O universo está cheio de coisas invisíveis
O universo é majoritariamente composto de coisas que não podem ser
vistas. Na verdade, as estrelas, planetas e galáxias que podem ser
detectadas representam apenas 4% do universo. Os outros 96% são
substâncias que não podem ser vistas ou facilmente compreendidas. Estas substâncias elusivas, chamada de energia escura e matéria
escura, ainda não foram detectadas, mas os astrônomos baseiam sua
existência na influência gravitacional que ambas exercem sobre a matéria
normal, as partes do universo que podem ser vistas.
6 – O universo tem ecos de seu nascimento
A radiação cósmica de fundo do universo é composta por ecos de luz
que sobraram do Big Bang que criou o universo, 13,7 bilhões de anos de
atrás. Esta relíquia da explosão coloca um véu de radiação em torno do
universo. Uma missão da Agência Espacial Europeia mapeou o céu inteiro à luz de
micro-ondas para revelar novas pistas sobre como o universo começou.
Essas observações são os pontos de vista mais precisos da radiação
cósmica de fundo já obtidos. Os cientistas esperam usar os dados da missão para resolver algumas
das questões mais debatidas no campo da cosmologia, como o que aconteceu
imediatamente depois que o universo foi formado.
7 – Pode haver mais de um universo
A ideia de que vivemos em um multiverso, que nosso universo é um dos muitos, vem de uma teoria chamada inflação eterna, que
sugere que logo após o Big Bang, o espaço-tempo se expandiu a taxas diferentes em lugares diferentes. Segundo a teoria, isso deu origem a “universos bolha” que poderiam
funcionar com as suas próprias leis da física. O conceito é polêmico e
era meramente hipotético, até que estudos recentes procuraram marcadores
físicos da teoria do multiverso no fundo cósmico de micro-ondas, que é
uma relíquia do Big Bang.
Pesquisadores buscaram as melhores observações disponíveis do fundo
cósmico de micro-ondas para detectar sinais de colisões, mas não
encontraram nada de conclusivo. Se dois universos se colidiram, os
pesquisadores afirmam que isso teria deixado um padrão circular para
trás na radiação cósmica de fundo.
Teoria: nosso universo pode ser parte de mais universos
Quando aprendemos nossos primeiros conceitos sobre astronomia,
geralmente nos é ensinado que existe um único universo, com incontáveis
galáxias, e que vivemos dentro de uma delas. Recentemente, no entanto,
cientistas estão considerando a chance de haver mais de um universo. Essa ideia, defendida por astrônomos de duas universidades
britânicas, é por enquanto apenas uma hipótese. Basicamente, parte de
uma teoria chamada de “inflação eterna”. Após o Big Bang, houve
diferença na expansão do espaço-tempo (escala física usada para medir
eventos espaciais) em lugares diferentes. Ou seja, cada fragmento de
universo teria nascido de acordo com suas próprias leis físicas que
regem o tempo e o espaço. O que dá suporte a essa teoria, mais recentemente, é o estudo da
radiação cósmica de fundo (CMB, na sigla em inglês). Essa radiação, que
aparece no universo na frequência mais alta possível de microondas,
deixa marcas no espaço-tempo. Segundo a teoria dos vários universos,
essas marcas foram deixadas após a colisão dos vários universos ao longo
de suas existências. Nosso próprio universo, portanto, poderia já ter
colidido com um ou mais “vizinhos”. Para que se possa entender esse mecanismo, os cientistas britânicos
fizeram uma comparação com bolhas de sabão. Imagine que cada bolha de
sabão é um universo, com suas próprias leis físicas de espaço-tempo.
Quando duas bolhas de sabão encostam uma na outra, a área em que elas se
tocam torna-se circular. Da mesma maneira, quando dois universos
colidem, a radiação CMB resultante do choque também toma forma circular.
Essa radiação circular, dessa forma, seria um sinal claro de que dois
universos colidiram naquele ponto. A parte prática desse estudo, medida a partir de um algoritmo criado
pelos astrônomos, teve um resultado que agradou em parte os cientistas. De fato, foi possível observar a incidência de CMB circulares em
certas áreas do espaço, que foram marcadas como indicativos dessa
teoria. Não se conseguiu, entretanto, definir um padrão para o
aparecimento dessas CMB, que continuam parecendo aleatórias. Um argumento, mais lógico do que propriamente físico, é usado pelos
defensores da teoria. Segundo eles, o nosso universo é exatamente
“desenhado” para que se possa haver vida, já que a harmonia entre
constantes como a gravidade e a velocidade da luz permite isso. Seria
muita coincidência, segundo eles, que em um único universo houvesse
exatamente essas condições.
O que se buscará a partir de agora, portanto, é ordenar as
observações para fortalecer essa teoria. Um satélite da Agência Europeia
Espacial, chamado Planck, está no espaço desde 2009, e em 2013 deverá
ter respostas mais detalhadas sobre a nova teoria.
Segundo o escritor Eduardo Torres, as Viagens no Tempo são o que há de mais puro em termos
de Ficção Científica, visto que elas o são por excelência. Há algo de bastante justificado nesta
frase, visto que boa parte das obras que conhecemos como FC poderiam ser facilmente transpostas
para outros gêneros sem perda alguma de conteúdo essencial.
Não se pode negar, porém, que a idéia de viajar no tempo é possível também no terreno da
Fantasia. Urashima Taro, a lenda do Pescador Japonês, é um exemplo interessante, Harry Potter e o Prisioneiro
de Azkaban também. Mas quando H.G.Wells criou a Máquina do Tempo, em 1890, tivemos a inauguração
do gênero como o conhecemos hoje.
As Viagens no Tempo gozam de uma posição de destaque na FC, não só remontam aos sub gêneros
mais antigos como talvez estejam entre os mais populares. Ao mesmo tempo, podem parecer a primeira
vista as mais absurdas, pois é difícil conceber como seria possível se deslocar no tempo,
enquanto não é tão difícil conceber vôos espaciais, robôs inteligentes ou extraterrenos.
Entretanto, na verdade estão entre as poucas que possuem base científica plausível, mais
especificamente sobre a Teoria da Relatividade.
Isso ocorre porque uma das consequência mais notáveis da teoria Einsteiniana é a fusão das
idéias de tempo e espaço numa mesma entidade chamada Continuum, o que, entre outras coisas,
torna o tempo, ao contrário do que se pensava, Relativo, e sujeito a vários tipos de distorção.
As viagens para o futuro são mais do que plausíveis, eles existem e ocorrem a todo instante,
porém em escalas imperceptíveis. Como, segundo a Teoria da Relatividade, o movimento afeta o
ritmo de passagem do tempo, quanto mais rápido alguém se mover, mas rápido ela avança para o
futuro em relação a referenciais mais lentos. Ou seja, alguém que viaje constantemente de avião
chega ao futuro mais rápido que alguém que nunca o tenha feito, pois o tempo para ela terá
passado mais lentamente e ela terá envelhecido menos.
No entanto a diferença será desprezível. Mesmo os astronautas que foram à Lua, que são os
seres humanos que experimentaram as maiores velocidades de deslocamento na história, cerca de
40mil km/h, experimentaram avanços para o futuro insignificantes.
Para que uma viagem ao futuro apresente resultados perceptíveis é necessário velocidades
de deslocamento muito maiores, que poderão ser possíveis futuramente. Uma nave capaz de se
mover ao menos a um décimo da velocidade da luz, já apresentaria resultados bastante
impressionantes.
Mas se as viagens para o futuro são teoricamente possíveis e até futuramente prováveis, as
viagens para o passado ainda são altamente improváveis mesmo em ousadas especulações teóricas.
Acelerar até a velocidade da luz por exemplo, o que já é bastante improvável levando em
conta nossos conhecimentos científicos atuais, apenas congelaria a passagem do tempo,
permitindo que o viajante avançasse o quanto quisesse para o futuro, mas ao que parece nada
sugere que seja possível ultrapassar tal limite e que mesmo o fazendo o tempo retrocederia.
Uma analogia interessante: Suponha que você esteja acostumado a percorrer o
trajeto de sua casa até a casa de uma amiga em 20 minutos. Então adquire um meio de
deslocamento mais rápido e passa a fazer o percurso em apenas 10 minutos. Com outro meio de
transporte esse tempo passa a ser de 5, e assim por diante.
Chegaria a um ponto em que teoricamente você gastaria um tempo que tendesse a zero, ou seja,
se transferiria instantaneamente de um local a outro. Mas, e se fosse possível aumentar ainda
mais a velocidade, ocorreria de você chegar à casa de sua amiga ANTES de ter saído da sua?
Pelo nosso paradigma científico atual tudo indica que não. Você nunca conseguiria gastar
um tempo Zero de descolamento, ainda que chegasse a um tempo desprezível muitíssimo próximo
de zero. No entanto, considero ingênuo acreditar que nossas concepções científicas atuais
bateram definitivamente o martelo sobre a questão, e vamos deixar em aberto a possibilidade
de viagem para o passado.
Temos que recorrer então à Filosofia para compreender certas questões. Muitas coisas podem
ser possíveis dependendo do contexto. Por exemplo, não temos dificuldade em imaginar que num
outro Universo submetido a outras leis físicas, fosse possível ultrapassar a velocidade da
luz e ou viajar para o passado. Nós podemos imaginar isso por que se trata de uma Possibilidade
LÓGICA. Ou seja, ela pode ser racionalmente concebível.
Porém, se uma coisa for LOGICAMENTE Impossível, ela com certeza o será FISICAMENTE
Impossível. Nós podemos conceber logicamente coisas impossíveis fisicamente, mas se uma coisa
for logicamente inconcebível, ele com certeza será impossível.
PARADOXO
O problema com as viagens no tempo para o passado é que elas geralmente apresentam
resultados logicamente impossíveis, PARADOXOS. E talvez o mais problemático seja o mais
comum em obras de Ficção Científica sobre Viagens no Tempo:
O PARADOXO DE CAUSA E EFEITO, que diz que:
Se alguém viaja para o passado com objetivo de alterar um evento para mudar o presente,
assim que o fizesse, o motivo pelo qual viajou deixaria de existir, e consequentemente a
viagem também. Sendo assim, o mínimo que deveria acontecer seria a perda de memória por parte
do viajante, ou seu lançamento numa realidade paralela. Há meios de se superar essa dificuldade, mas raramente isso é feito com desenvoltura
principalmente em HQs ou Filmes.
Em Os 12 Macacos,
por exemplo, houve um excelente tratamento do tema, mas admitindo a
impossibilidade de se alterar o passado de modo que a própria tentativa de alteração fez parte
do processo.
Em minha opinião, no cinema os exemplos mais desastrosos são os de Jornada nas Estrelas,
principalmente em
STAR TREK VIII,
onde no passado um evento principal é alterado mudando o
presente, nos caso os Borgs eliminando o evento que resultaria em boa parte do avanço
tecnológico humano, e então através de uma viagem os protagonistas repõem o evento
principal no lugar.
Entretanto fazem inúmeras outras alterações nada insignificantes, mas que em nada afetam os
acontecimentos futuros, e fica sempre a pergunta: Por que os Borgs não tentam de novo?
E de novo e de novo? E se viajassem para impedir que os heróis impeçam a mudança no passado?
Por que não uma outra viagem para impedir a raiz de todos os problemas? Quando isso pararia?
E o pior! Se os Borgs conseguissem impedir o tal evento, a Terra nunca
teria desenvolvido tecnologias de viagens espaciais, e sendo assim nunca teria se integrado a
federação e muito menos conhecido os Borgs, que também não teriam o menor interesse numa
tecnologia pouco avançada, e portanto não teriam vindo à Terra.
Esse resultados são ilógicos, e podemos esclarecer isso formalizando e simplificando a
questão:
1) Os Borgs vieram à Terra para assimilar sua Tecnologia Avançada.
2) Para eliminar a forte resistência dos terrestres, que se baseia em tecnologia avançada,
os Borgs viajaram no tempo e prejudicaram o desenvolvimento da Tecnologia Terrestre.
3) Sem tecnologia avançada, os terrestres não puderam resistir aos Borgs.
E aqui fica clara a contradição, o item 3 entra em conflito com o item 1, se os terrestres
perderam sua tecnologia avançada devido a viagem no tempo dos borgs, para que então os
Borgs teriam vindo à Terra?
Em síntese: Se você viajasse para o passado para impedir uma tragédia e o
conseguisse, a tragédia, que é motivo de sua viagem, deixaria de existir,
sendo assim sua viagem também.
O motivo da viagem é a sua CAUSA, se esta desaparecer, a viagem, que é seu EFEITO,
também desaparece.
É até concebível que isso ocorra desde que o viajante perca completamente a memória de sua
viagem, pois ela também teria deixado de existir. E dessa forma seria possível que há um minuto
atrás a realidade em que você vive fosse outra, mas você viajou no tempo e a alterou, de modo
que agora vive numa outra realidade tendo se esquecido totalmente da realidade anterior em que
viveu.
Pior! Pode ser então que a realidade que vivemos tenha sido alterada infinitas vezes, mas
ninguém, nem mesmo os viajantes do tempo responsáveis, saberiam disso.
Outra forma de evitar esse paradoxo é afirmar que os viajantes na verdade passaram para uma
dimensão paralela, e dessa forma eles nada mais fizeram do que escolher um Universo
alternativo, e tenham se tornado seres multi dimensionais. Mas isso também implica que, para
as pessoas que não sejam esses viajantes, as mudanças simplesmente não ocorrem, ou seja,
se você viaja no tempo e impede a tragédia, e volta para o seu tempo sem perder a memória,
você teria na verdade entrado em um universo alternativo, para o qual aquela tragédia de fato
jamais ocorreu, mas o universo original permanece inalterado.
Já uma situação como a ocorrida em filmes como
De Volta para o Futuro,
é absurda, pois o
viajante, Martin McFly, faz alterações drásticas em sua realidade e volta para ela, e ainda que
ela não evolva exatamente a causa da viagem no tempo, elas deveriam estar automaticamente
registradas em sua memória, ou aquela realidade para a qual ele voltou já seria um universo
alternativo.
Explicando mais detalhadamente: cada vez que ele alterava um detalhe do passado de seus pais, isso
resultava em mudanças no futuro. Porém ele estava de certa forma protegido dessas mudanças,
talvez por não estar em seu tempo original. Quando ele volta para seu Presente encontra várias
coisas mudadas e não as reconhece, isso significa que sua memória pertence à realidade anterior,
ele vem de uma realidade anterior, alternativa, caso contrário, ele deveria se lembrar
automaticamente de tudo, não sofrendo nenhum estranhamento com as mudanças.
Problemas como esse me levaram a formular um modo de conceber as
Viagens no Tempo que alteram
o Passado como formas de Viajar entre Realidades Paralelas. Não fui o
único. Cada vez mais idéias similares se tornam populares, à medida que a
reflexão sobre o tema aumenta, e por ser muito difícil conceber a
viagem no tempo de um modo racionalmente diferente.
INFINITOS UNIVERSOS
Para explicar minha teoria, devemos ter em mente, e muito claramente, a expressão:
O UNIVERSO É INFINITO!
Contendo múltiplos sub universos. Isto é, o Universo seria um Multi Verso, com infinitas subdivisões.
Agora pensemos nas seguintes possibilidades de idealização do tempo:
Nesta idealização temos uma Linha do Tempo, que imaginamos como correndo da Esquerda para a Direita.
em vermelho temos oPASSADO, e em azul o FUTURO.
OPRESENTE, representado em verde, seria um intervalo infinitamente pequeno entre
o Passado e o Futuro, um evento instantâneo que transforma este último no primeiro.
Foi o filósofo Santo Agostinho que, no Quarto Século da Era Cristã, teve a ousadia de ser o primeiro a
questionar a natureza do tempo e perceber uma estranha contradição. Parece que o Tempo, de uma certa forma,
não existe, pois o Passado não existe mais, o Futuro ainda não existe, e o Presente é infinitamente pequeno,
sendo assim, como poderia existir?
Mas não foi por acaso que citei esse grande filósofo, pois ao final de sua vida, sem dúvida envolvido
também nestas questões, ele se tornou Determinista, isto é, alguém que acredita que o Futuro está
definitiva e inalteravelmente escrito. Opinião que é compartilhada por muitas pessoas ainda hoje.
Esta representação do tempo, acima, expressa então o Pré-Determinismo, mais conhecido por Destino,
que é idéia de que todos os eventos do futuro já estão definidos e não podem ser evitados. Uma forma de
expressar isso é exatamente pensando no tempo como uma linha por onde corre o presente. Agostinho, que era
um filósofo cristão, se apercebeu que isso trazia um grande problema para a idéia de Livre-Arbítrio, pois
como podemos ter escolha se todo o futuro já está definido? Mais informações em minha monografia
DEUS ME LIVRE, que trata especificamente sobre estas questões.
Um outra forma de imaginarmos o tempo seria:
Aqui, temos um Futuro indefinido, onde várias possibilidades podem ser realizadas e, assim sendo, que não
pode ser previsto com exatidão. O Presente seria então um fenômeno que converte possibilidades em fatos
transformando-os em passado, de onde não mais podem ser alterados. Ao menos é assim que muitas outras
pessoas costumam pensar.
Entretanto, há uma outra forma de pensar o tempo, uma forma um tanto mais ousada, onde todas as possibilidades
jamais seria exatamente fechadas, mas sim ficando "sempre" em aberto. Assim seria:
Aqui teríamos então, não somente uma linha de tempo, mas várias, mais provavelmente infinitas. E todas elas
paralelas. É esse o conceito de Realidades Paralelas, ou Alternativas, apresentadas em muitas obras de FC.
Esta concepção sugere que tais linhas sejam independentes entre si, e que somente algum evento muito incomum poderia
misturá-las.
Isso então, acaba não sendo muito diferente da idéia anterior de Determinismo, com a única diferença que tal
determinismo não seria único, mas para cada ser que vivesse em um, ele seria inviolável.
No entanto, podemos também visualizar estas linhas da seguinte forma:
Vemos aqui que o Tempo seria um processo que converteria possibilidades em realidades, deixando-as no Passado.
É razoável supor que o Passado, uma vez consumado, não possa mais ser alterado, mas o Futuro é livremente aberto
às possibilidades. Assim, existiriam diversas realidades paralelas, todas indeterminadas, sendo convertidas
pelo efeito "Presente", de, "Possibilidade de Futuro" para "Passado".
E aqui, já é importante frisar, essas possibilidades tem que ser INFINITAS! Ou seja, existiriam Infinitas realidades
paralelas, Infinitos Passados consumados com todas as infinitas possibilidades.
É exatamente neste contexto que poderíamos pensar em viagens no tempo para o passado, que inclusive alterassem
eventos, mas que não causassem paradoxos. Pois qualquer alteração já estaria prevista em uma das infinitas linhas de
possibilidades passadas, e assim, cada vez que um viajante do tempo o fizesse, estaria na verdade saltando para um
universo paralelo. Ou poderíamos pensar também que tal universo só passasse a existir assim que a alteração fosse efetuada.
O mais importante é que os eventos do presente original do viajante não seriam afetados. Se pensarmos no exemplo de
De Volta para o Futuro,
poderíamos exemplificar com a idéia de que Martin Mcfly, ao voltar 30 anos no tempo, retornou por sua própria
linha temporal, porém ao emergir no passado, terminou por passar para uma linha paralela, permanecendo nela mesmo
quando voltou ao futuro. Essa é a única forma de explicar que ele não tivesse nenhuma memória dos eventos que ele
mesmo gerou.
É claro que essa teoria não salva o paradoxo no filme, pois se é assim, deveria haver um duplo, um outro Martin
neste universo paralelo, que evidentemente vive normalmente em sua realidade e que não teria viajado no tempo.
Essa teoria abre possibilidade para qualquer tipo de viagem temporal, tornando qualquer possibilidade logicamente
possível. É claro que ela acrescenta alguns aspectos perturbadores. A maioria das pessoas tem dificuldade em lidar
com a idéia de uma infinitude de possibilidades, mas essa concepção, ou pelo menos a possibilidade de cada viagem ao
passado gerar um universo paralelo totalmente novo, me parece a única forma de tornar as viagens para o passado racionalmente
viáveis.
Outra consequência seriam os infinitos "eus" paralelos coexistindo nessa multiplicidade de universos, algo um tanto
perturbador. Uma possibilidade de atenuar a tensão desta idéia seria que na realidade tais universos não existissem
previamente, mas que fossem gerados pelas viagens no tempo, passando então a serem independentes. Porém isso leva à
questão de qual seria o resultado de diversas viagens constantemente gerando realidades paralelas. Poderia isso induzir
a um tipo de perturbação em todos os universos? Em especial no original?
No entanto, esse apelo ao infinito me parece impossível de ser contornado, especialmente se quisermos impedir o
Determinismo, caso contrário, poderíamos pensar num grande grupo de linhas temporais paralelas, em alguns viajantes
oscilando por essas linhas, mas ainda assim, pensar num nível superior de tempo, onde todas essas variações pelas linhas
paralelas já estariam previstas. Desenvolvi essa teoria mais detalhadamente ao final de meu Livro Virtual
Os Crononautas.
"DIMENSÕES" PARALELAS
Em verdade, pretendo ir ainda mais longe, e afirmar que qualquer concepção de viagem no tempo para o passado,
independente de pretender trabalhar com paradoxos ou não, necessariamente já está pressupondo algo muitíssimo
parecido com infinitos universos!
Para isso, pensemos o seguinte. O Universo é um gigantesco aglomerado de zilhões de partículas, que se movem e
se alteram ao longo do tempo. Vamos imaginar que exista uma unidade de tempo fundamental, algo menor que o microssegundo,
que o nanossegundo, mesmo um femtossegundo.
Um Instante Infinitesimal Indivisível, um
III, ou, para simplificar, um I3.
Assim, o tempo seria uma sequência virtualmente infinita deI3, sucedendo-se
um após o outro. Cada um desses instantes tem uma posição definida para cada uma das suas virtualmente infinitas
partículas, e somente num I3 seguinte poderia haver qualquer variação.
Isso significa, enfim, que cada I3só é idêntico a si próprio. Para que eu viajasse do meu presente, o I3atual, para umI3qualquer no passado, eu estaria pressupondo que, de algum modo, esse
passado está preservado, isto é, haverá o I3em questão com todas as
partículas no seu lugar exato e específico. E então fica a questão: Como funcionaria esta "memória", este
"registro" do passado?
Se houvesse um "outro" universo perpetuamente congelado em cada I3,
então teríamos uma quantidade total de partículas igual a todas as partículas do universo multiplicadas por todos
os I3, um número impossível até de imaginar, mas sendo assim, porque cada
universo destes deveria ficar parado, e não evoluir independentemente?
Se cadaI3for definitivamente fechado e congelado, seria impossível viajar
no tempo, porque não se poderia entrar num I3passado. Isso só seria possível se
cada um desses I3 fosse dinâmico, e o permitisse.
Deveria então existir exatamente essa quantidade mínima de universos paralelos:Q = I3 x TP2.
Ou seja, aQuantidade de Universosé igual ao TOTAL deI3decorridos ao longo de toda história,
multiplicado pela quantidade Total de Partículas,
ou entidades mínimas que compõem o universo, ELEVADO AO QUADRADO! Para
que cada mínima possibilidade de configuração do universo fosse
possível. Ou seja, é mais fácil pensar em infinito!
Assim, se existem uma versão congelada do universo para cada I3,
então, de
certa forma, já existem inúmeros universos paralelos, embora só fossem
acessíveis exatamente pelas viagens no tempo. Se tais versões não estão
congeladas, então só poderia fazer parte de outras linhas de eventos
contínuos.
Ou isso, ou a viagem para o passado é simplesmente impossível. A
não ser que se revertesse todos os eventos, fazendo todas as
transformações desacontecerem como se retrocedêssemos um filme. Mas
mesmo isso seria difícil de conceber, pois qualquer força que produzisse
tal efeito teria que estar fora do Universo, ou controlá-lo num nível
praticamente divino. Já trabalhei essa idéia em uma de minhas estórias
de FC, mas não posso dizer qual sem gerar um spoiler fatal.
Por falar em filme, é curiosa essa idéia presente na mente de
qualquer concepção de viagem no tempo. Todas pressupõem, sem perceber,
que de algum modo existe um registro histórico que guarda cada momento
do tempo. Mas isso só poderia significar que há, em cada um desses
momentos, cada I3, uma quantidade de partículas igual a do universo em qualquer outro tempo, outro I3, como já foi explicado acima. Ou então uma memória que apenas guarda informações sobre cada I3, sem tê-lo que reproduzí-lo integralmente. Ou seja, ao invés de haver infinitos I3na linha do tempo, haveria apenas registros de como cadaI3destes era.
O problema dessa concepção, o que acaba tornando-a equivalente, é que tipo de memória poderia guardar tantas informações?
Ora, todo registro de algo que possuímos é sempre uma representação
muitíssimo empobrecida deste algo. Mesmo uma versão digitalizada da uma
foto impressa contém muito menos informações que a foto original, mesmo
que tais informações sejam dispensáveis.
Por maior que seja a qualidade e o número de pixels de uma foto digital,
se devidamente ampliada, nós chegaremos a um limite onde não há mais
informação alguma. Mas a foto real pode ser sempre mais e mais
escrutinada, até por microscópios, onde poderemos ver mais e mais
detalhes até onde nossas tecnologias permitam.
Assim, o registro de um I3teria que ter muitíssimo menos informação que um I3 real, a não ser, é claro, que esse banco de dados possua uma memória tão vasta quanto a quantidade total de partículas de cada I3, o que tornaria o universo ainda maior.
Fica então a questão de se tal registro, incompleto, seria suficiente
para permitir resgatar informações suficientes para que a aqueleI3fosse efetivamente reconstruído. Da mesma forma como não precisamos de
detalhes microscópicos para apreciar uma foto, talvez não precisássemos
de maiores, ou "menores", detalhes para recriar um momento do tempo.
Mas seria realmente isso possível? Será que o universo, com toda a sua
complexidade, viabilizaria que uma informação superficial fosse
suficiente para recriar com exatidão um momento qualquer do passado?
Como saber se uma única e ínfima partícula fora do lugar já não seria
suficiente para desarranjar tudo?
Ademais, mesmo independente disso, ainda resta o problema de que seria
necessária uma quantidade de matéria imensa para reconstruir tal momento
do tempo, mesmo que cada detalhe subatômico não precisasse ser
reconstituído com exatidão. De onde viria essa quantidade de matéria, se
não de uma outra dimensão paralela?
CONCLUINDO
Aparentemente, não há qualquer outra forma racional de conceber as
viagens no tempo para o passado sem apelar, de algum modo ou de outro,
para realidades alternativas, dimensões paralelas ou algo que o valha.
Em sua
Mensagem em meu Livro de Visitantes, Eduardo Torres declarou:
"O problema dessa concepcao é que ela nega a verdadeira viagem no tempo e a transforma em 'mera' viagem interdimensional." No que parece estar certo.
E o problema parece ser exatamente isso. Literalmente falando, a viagem
no tempo é impossível, mesmo a nível puramente lógico. Que seja uma
possibilidade teórica admitida por uma das mais famosas e fortes teorias
científicas da história, parece pura e simplesmente paradoxal.
Marcus Valerio XR
Físicos
enfrentam o pesadelo das viagens no tempo
Talvez esse seja o seu maior sonho,
mas, para muitos físicos, a viagem no tempo é o pior pesadelo que
poderiam enfrentar. "Acredito que a maioria de nós adoraria se
livrar das máquinas do tempo, se tivéssemos essa possibilidade",
diz Amanda Peet, da Universidade de Toronto. "Elas ofendem nossas
sensibilidades fundamentais".
Existe um motivo muito simples para isso. Ainda que as leis da natureza
pareçam permitir a existência de máquinas do tempo, estas violam o
princípio da causalidade -a suposição básica de que as causas
necessitam anteceder seus efeitos. O problema é que, até agora, ninguém
conseguiu oferecer uma explicação definitiva para negar a
possibilidade de que máquinas do tempo funcionem. O melhor que temos é
a "conjectura de projeção cronológica" de Stephen Hawking,
a qual, em resumo, sugere que existe um policial do tempo embutido na
estrutura do Universo. Sempre que alguém está quase conseguindo
construir uma máquina do tempo, o policial entra em ação e impede a
operação antes que ela tenha a oportunidade de causar o caos no
passado. No entanto, não existem provas da existência de policiais do
tempo, nas leis da física, de modo que no momento a conjectura de proteção
cronológica é simplesmente uma expressão de otimismo, um físico
cruzando seus dedos e esperando que as coisas sejam resolvidas da melhor
maneira possível.
Mas a situação talvez esteja prestes a mudar. Alguns poucos grupos de
pesquisadores independentes estão alegando enfim ter discernido um
vislumbre da proteção cronológica. Nos últimos 12 meses, diversas
novas abordagens quanto ao enigma das viagens temporais surgiram entre
os físicos. Ainda que difiram entre si, essas abordagens todas tinham
uma coisa em comum: invocavam a teoria das cordas, a principal candidata
à condição de "teoria unificada" hoje disponível. Sob a
teoria das cordas, aparentemente, é possível fechar de vez o buraco
que parecia permitir viagens no tempo.
Os físicos não teriam de se preocupar com viagens no tempo se não
fosse o mais famoso físico de todos os tempos. Quando Albert Einstein
desenvolveu sua teoria geral da relatividade, em 1915, inadvertidamente
abriu as portas para violações generalizadas do princípio da
cronologia. "A teoria geral da relatividade está completamente
infestada de máquinas do tempo", diz Matt Visser, professor de
Matemática Aplicada na Universidade Victoria, em Wellington, Nova Zelândia.
"Ela certamente parece permitir todas essas soluções exóticas
sob as quais viagens no tempo são teoricamente possíveis".
Antes que a teoria geral da relatividade surgisse, soluções como essas
eram inimagináveis. No universo de Newton, a direção do tempo era,
por definição, absoluta e irreversível. Até mesmo sob a teoria
especial da relatividade, o primeiro tour de force intelectual de
Einstein, o fluxo de tempo unidirecional não se alterava.
Mas a teoria geral da relatividade -que inclui a idéia revolucionária
de Einstein de que a gravidade é o resultado da distorção do espaço
e do tempo pela matéria- é uma história muito diferente.
Diferentemente de teorias anteriores, ela não começa com uma estrutura
global presumida para o tempo, mas simplesmente oferece regras para como
o tempo é percebido em circunstâncias locais.
"Na verdade, a teoria geral da relatividade relaciona a distribuição
da matéria 'aqui' à curvatura do espaço e fluxo do tempo 'aqui', mas
não oferece muita informação de longa distância", diz Visser.
Devido à sua "generalidade", a relatividade geral não impõe
suposições adicionais sobre a natureza do espaço e do tempo como um
todo. Por exemplo, os cosmólogos não têm maneira de saber se o
Universo é finito ou infinito, com base nas equações propostas por
Einstein. São necessárias informações adicionais para determinar se
o espaço se estende ao infinito ou se na verdade se curva sobre si
mesmo. De maneira semelhante, simplesmente porque o tempo parece fluir
em uma direção em nossa parte do universo, não há nada explícito,
na teoria geral da relatividade, que afirme que ele não pode se
comportar diferentemente em outro lugar. Algumas das soluções das equações
de Einstein, em especial, levam a "curvas fechadas de caráter
temporal", percursos ininterruptos pelo contínuo espaço-temporal
que permitiriam que os viajantes recuassem no tempo e se encontrassem
com versões passadas deles mesmos. "Isso é algo que sempre
irritou os físicos", diz Visser.
E talvez seja por isso, no jargão da física relativista, que as regiões
de espaço que contenham curvas fechadas de caráter temporal sejam
conhecidas como "doentes". Existem pelo menos dois bons
motivos para o incômodo quanto à possível existência dessas regiões.
Um é o famoso paradoxo do avô. Nesse cenário você, o viajante do
tempo, segue uma curva fechada de caráter temporal em direção ao
passado a fim de assassinar um ancestral direto, o que impediria o
surgimento das circunstâncias que levaram ao seu nascimento. A ficção
científica está repleta de histórias paradoxais desse gênero, nas
quais um visitante do futuro altera a História.
Um segundo problema é o igualmente intrigante paradoxo do ovo e da
galinha. Suponha que alguém lhe conte a piada mais engraçada do mundo
e você a seguir viaje no tempo e volte uma semana ao passado, para uma
festa onde conta a piada. É claro que a piada faz sucesso e continua a
ser contada, até que termina por chegar de novo a você, uma semana
mais tarde, o que dá início ao circuito fechado uma vez mais. A questão
é -de onde veio a piada?
Em um caso, o efeito elimina a causa; no outro, o efeito se torna a
causa. No entanto, existem condições físicas que permitem que situações
como essas aconteçam, como parte das soluções para as equações
einstenianas.
Curvas fechadas de caráter temporal como essas não são fáceis de
produzir ou explorar, evidentemente. Se as viagens no tempo são possíveis,
elas só poderiam ser realizadas com tecnologia de uma escala muito
superior à disponível para a civilização do século 21 (leia o texto
"Sete
tipos de máquinas do tempo"). Mas não é esse o ponto: o
ponto é que a teoria geral da relatividade não nega essa
possibilidade; ela só nos informa que viagens no tempo são
dispendiosas e difíceis. Assim, será que a conjectura de Hawking está
errada? A viagem no tempo seria apenas um desafio técnico a superar, em
lugar de uma impossibilidade física?
Os físicos envolvidos com essa área da disciplina, sempre criativos em
sua argumentação, estão interpretando a atitude relativamente
permissiva da teoria geral da relatividade quanto às viagens no tempo
como um sinal de que a teoria é incompleta. "Em certos sentidos, a
teoria geral da relatividade é tão espantosa exatamente por prever seu
próprio fim", diz Rob Myers, do Instituto Perimeter, em Ontário,
Canadá. "A teoria de Einstein nos diz que só pode nos conduzir até
um determinado ponto, e que depois disso será necessária uma teoria
melhor a fim de que possamos compreender para onde vai a física, a
partir dali".
Lisa Dyson, aluna de pós-graduação em física teórica no Instituto
de Tecnologia de Massachusetts (MIT), concorda. "Sabemos que a
relatividade não é a história toda", diz. "A teoria geral
da relatividade é uma teoria da gravidade, mas existem outras forças
que governam o mundo: a interação nuclear forte, a fraca e a força
eletromagnética. Assim que compreendermos todas essas forças, e como
se unificam, podemos descobrir, talvez, que as viagens no tempo são
inconsistentes com a teoria unificada".
Hoje, as demais forças que não a gravidade são estudadas pela mecânica
quântica. Por décadas os físicos vêm-se esforçando por unir a mecânica
quântica e a relatividade para produzir uma teoria de "gravidade
quântica". E a melhor candidata até agora é a teoria das cordas.
A teoria das cordas é uma maneira
dispersa e multidimensional de descrever o Universo. Porque a
causalidade é parte fundamental dessa descrição, muitos físicos
esperam que a teoria das cordas descarte, de alguma maneira e
explicitamente, as viagens no tempo. "A teoria das cordas é
promissora como teoria de unificação da gravidade com as demais forças
fundamentais da natureza", diz Dyson. "Se o nosso conceito
usual de cronologia for parte integrante do Universo, a cronologia
decerto deve estar protegida em algum lugar da teoria das cordas".
Em alguns casos específicos, essa expectativa começa a ser confirmada.
Um desdobramento especialmente útil surgiu recentemente quando um grupo
liderado pelo físico Jerome Gauntlett, então trabalhando na
Universidade Queen Mary, de Londres, estava desenvolvendo uma aproximação
simplificada para a teoria das cordas, conhecida como supergravidade de
cinco dimensões. Ainda que seja parente próximo da teoria das cordas
plena, o grupo liderado por ele descobriu que muitas das soluções
aceitáveis para a supergravidade admitem viagens no tempo, de maneira
semelhante à teoria da relatividade geral. "O que me
surpreendeu", diz Gauntlett, "é que essas soluções se
provaram bastante comuns".
Petr Horava, físico teórico da Universidade da Califórnia, em
Berkeley, estava lecionando em um curso de pós-graduação sobre a
teoria das cordas quando os resultados do estudo de Gauntlett foram
divulgados na Internet. Ele decidiu dedicar uma aula para tratar das
questões que o novo trabalho implicava, e depois atribuiu aos seus
alunos como problema a questão da proteção cronológica. A idéia
seria usar as ferramentas da teoria das cordas para eliminar alguns ou
todos os cenários de viagens temporais que faziam parte da
supergravidade pentadimensional.
Horava e um grupo de alunos decidiram trabalhar com um exemplo específico.
Em 1949, o matemático Kurt Gödel encontrou uma solução para as equações
de Einstein sob a qual o Universo não estava nem se expandindo nem se
contraindo, mas girando rapidamente. Uma das conseqüências de viver em
um Universo desse tipo é que seria possível, por meio de movimento na
direção certa, chegar de volta ao ponto de partida em uma viagem antes
que o viajante partisse. Na verdade, todos os pontos do Universo
rotativo de Gödel existem no interior de uma curva fechada de caráter
temporal.
O trabalho de Gauntlett indica que curvas fechadas de caráter temporal
semelhantes permeiam a versão de supergravidade pentadimensional do
Universo de Gödel. O grupo de Horava decidiu examinar as curvas
fechadas de caráter temporal com a ajuda do princípio holográfico. Em
sua versão mais simples, este afirma que toda a informação presente
em um determinado volume de espaço pode ser representada como se
existisse na superfície, ou "tela holográfica", que cerca
esse espaço ("New Scientist", 27 de abril de 2002, pág 22).
De acordo com o princípio holográfico, o que conhecemos como realidade
é na verdade uma projeção de um holograma bidimensional.
Horava calculou que o princípio holográfico talvez tivesse alguma
coisa a dizer sobre os problemas de informação apresentados pelas
viagens no tempo. Assim, ele e seus estudantes aplicaram uma prescrição,
calculada por Raphael Bousso, também de Berkeley, para descobrir onde
está localizada a tela holográfica para qualquer solução dada da
teoria geral da relatividade.
Proteja os olhos
Para sua surpresa, eles identificaram o problema quanto às viagens no
tempo, no Universo de Gödel. Descobriram que, para cada observador possível
no Universo de Gödel, existe uma tela holográfica que ou perfura
qualquer curva fechada de caráter temporal ou a oculta do observador. Não
só as curvas se tornam invisíveis como não se pode estudá-las por
meio de qualquer experiência. Em um certo sentido, sugere Horava, a
tela holográfica separa a realidade da ilusão, e as curvas fechadas de
caráter temporal se localizam claramente do lado da ilusão. "Se a
tela oculta do observador as violações da causalidade", diz
Horava, "então nenhum observador no interior do Universo tem
acesso a violações de causalidade".
Horava acautela que os resultados obtidos são limitados. Para começar,
a holografia é uma ferramenta nova, e ainda mal compreendida, de modo
que não seria necessariamente útil em situações mais complexas. E o
resultado obtido para o Universo de Gödel só se aplica aos
observadores que não estejam em movimento acelerado no espaço. Mas as
descobertas de sua equipe apontam um caminho para lidar com um tipo
específico de máquina do tempo, usando uma observação ligada à
teoria das cordas.
Evidentemente, há outras máquinas do tempo a considerar. Entre as
demais soluções mencionadas na análise de Gauntlett temos os buracos
negros pentadimensionais giratórios conhecidos como buracos negros BMPV
(em homenagem aos físicos Jason Breckenridge, Myers, Peet e Cumrun Vafa).
Os buracos negros BMPV podem se tornar máquinas do tempo, mas só
quando sua rotação for rápida o suficiente. Eles também são as
contrapartes supergravitacionais dos buracos negros Kerr-Newman, bem
conhecidos como máquinas do tempo sob as normas da teoria geral da
relatividade. Dyson, que foi aluna de Horava, começou a imaginar até
que ponto seria difícil construir um objeto como esse e propiciar-lhe a
rotação necessária a atingir a velocidade desejada. Usando apenas um
papel e uma caneta, ela deu início a uma tarefa que teria causado
tremores aos deuses -construir um buraco negro pentadimensional giratório
a partir do zero.
E de que maneira isso deve ser feito? Não é difícil, insiste Dyson;
é mais ou menos como construir um buraco negro convencional. Você começa
com o espaço vazio, e depois traz matéria de todas as direções, até
que exista um volume suficiente em uma região pequena o bastante, e o
buraco negro se forma. Da mesma maneira, diz ela, um buraco negro BMPV
é composto de elementos constituintes trazidos de uma distância
infinita, como uma concha que se contrai. Mas em lugar de matéria
comum, os constituintes necessários são ondas gravitacionais e os
chamados "D-branes". Os D-branes são criaturas da teoria das
cordas, e a maneira mais fácil de compreendê-los é como membranas
multidimensionais ou "hiper-superfícies" que habitam um contínuo
espaço-temporal com 10 dimensões. No mundo matematicamente mais
simples do buraco negro BMPV, os D-branes aparecem na forma de partículas
e as ondas gravitacionais surgem como rugas no campo gravitacional (elas
também podem ser consideradas resultados de partículas conhecidas como
grávitons).
Quando os cálculos de Dyson reuniram esses constituintes para produzir
um buraco negro BMPV teórico, ela descobriu um fenômeno interessante.
No ponto do processo de montagem em que o buraco negro está à beira de
se transformar em máquina do tempo, os blocos de construção deixam de
se comportar como planejado. Em lugar de tudo convergir para o ponto, o
sistema forma uma concha de grávitons, recheada de D-branes. Não há
forma de manipulação matemática que consiga fazer com que os grávitons
se aproximem mais. O resultado final do processo é que o buraco negro
BMPV jamais se acelera a ponto de produzir uma curva fechada de caráter
temporal que seja acessível.
Território proibido
Os resultados de Dyson sugerem que a maneira pela qual os D-branes e os
grávitons se afetam uns aos outros -e o espaço que eles ocupam- cria
um obstáculo às viagens temporais através de buracos negros TMPV.
"É como se você estivesse tentando construir aquele último pedaço
de sua máquina do tempo, e uma força o impedisse de mover a mão",
diz Myers.
Como no caso do grupo de Horava, os resultados de Dyson só se aplicam a
uma situação específica. Não podem ser encarados como prova
universal da conjectura de Hawking. Por outro lado, eles demonstram que
há ferramentas na teoria das cordas que podem interferir para evitar a
existência de algumas espécies de máquina do tempo admitidas pela
teoria geral da relatividade. "Determinar se a teoria das cordas
usa o mesmo mecanismo para proibir outras espécies de viagem no tempo
é algo que ainda está em investigação", afirma Dyson.
Mas porque a própria teoria das cordas continua incompleta, novas
ferramentas para lidar com problemas como a proteção cronológica vão
surgindo constantemente. Assim, estamos no começo do fim para as
viagens no tempo? Os físicos teóricos continuam cautelosos quanto a um
anúncio formal de que a possibilidade não existe. "Acredito que
muitos dos pesquisadores da teoria das cordas ficariam felizes caso
encontrássemos um mecanismo concreto que simplesmente proíbe a existência
de curvas fechadas de caráter temporal", diz Myers. "Por
outro lado, talvez em outras situações as curvas fechadas de caráter
temporal existam, e temos de enfrentar todos os paradoxos e problemas
que isso acarreta".
Peet também mantém a reserva quanto à questão. "Até agora,
tivemos bastante sorte, mas acredito que ainda restem dúvidas bastante
persistentes entre as pessoas que trabalham nessa área", diz ela.
"Talvez existam exemplos de violações cronológicas que a teoria
das cordas não seja capaz de impedir. Esperamos que isso não seja
verdade".
Os escritores de ficção científica esperam o contrário. Até mesmo
Peet, fã devota da série "Jornada nas Estrelas", admite um
pesar passageiro diante da perspectiva de que as viagens no tempo sejam
afinal impossíveis. "Se alguém construísse uma espaçonave capaz
de viajar no tempo, eu seria a primeira a embarcar em uma missão de
turismo", diz. "Quando compreendi que isso talvez não venha
nunca a ser possível, fiquei um pouco triste", acrescenta.
"Mas superei".
Bóson de Higgs: a simulação mostra a partícula
sendo captada pelo detector CMU no Grande Colisor de Hádrons
O Bóson de Higgs, mais popularmente conhecido como
a “partícula de Deus” é uma partícula que
vem sendo muito discutida ao longo dos tempos, nesse ano, ela se tornou ainda
mais popular devido a declaração de alguns cientistas, que afirmam
que estão muito perto de desvendar a sua composição. De acordo com a teoria, o Bóson de Higgs é uma partícula
responsável pela existência de um campo que se estende por todo
o Universo, um objeto que surgiu de forma espontânea e foi designado
como o responsável pelo surgimento da massa das partículas,
deste modo, sem essa partícula, a matéria não teria massa.
Durante muitas décadas os cientistas têm trabalhado na busca
por uma partícula subatômica denominada Bóson de Higgs,
a "partícula de Deus". Inicialmente, o Bóson de Higgs
recebeu este nome em homenagem ao físico britânico Peter Higgs,
que definiu sua existência em um artigo publicado em 1964 no periódico
científico Physical Review Letters. Higgs, o cientista, teve a ideia
da existência dessa partícula enquanto caminhava em um fim de
semana pelas Montanhas Cairngorm, na Escócia. Assim, quando ele retornou
ao laboratório, comunicou aos seus colegas que havia tido uma "grande
ideia" e tinha encontrado uma resposta para o enigma de por que a matéria
tem massa.
A partir daí, a partícula foi nomeada como Higgs, no entanto,
outros importantes trabalhos teóricos foram desenvolvidos por outros
cientistas, como pelos físicos belgas Robert Brout e François
Englert. E por que o Bóson de Higgs ficou conhecido como "partícula
de Deus"? A resposta é simples, em suma, assim como Deus, ela
estaria em todas as partes. No entanto, essa expressão surgiu de um
livro do físico ganhador do prêmio Nobel, Leon Lederman, na qual
o esboço de título era "A Partícula Maldita"
("The Goddamn Particle", no original), esse nome foi dado em virtude
às frustrações de tentar encontrá-la. Esse título,
após foi modificado pelo editor para "A Partícula de Deus",
a princípio por temer a reação da palavra "maldita",
que talvez fosse ofensiva. No último dia 13 de dezembro uma notícia que, muitos cientistas
aguardavam a anos, rodou o mundo. Durante um seminário em Genebra,
na Suíça, os Cientistas da Organização Europeia
para Pesquisas Nuclear (Cern, na sigla em francês), anunciaram a suposta
descoberta que poderia explicar a teoria do Big Bang na criação
do mundo. Os cientistas explicaram que duas experiências separadas,
o Atlas e o CMS, têm feito buscas e pesquisas independentes pelo Bóson
de Higgs com aceleradores de partículas como o LHC. No seminário,
os chefes do Atlas e do CMS afirmaram ter encontrado "picos" em
uma mesma massa: de 124 a 125 giga elétron-volts (GeV). Ou seja, esta
pode ser a chave do tesouro que os cientistas buscam a décadas. "Ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas.
Precisamos de mais dados, mas estabelecemos sólidas fundações
para os apaixonantes meses pela frente", declarou Fabiola Gianotti, chefe
da experiência Atlas no Grande Colisor de Hádrons (LHC), em um
seminário do Cern, transmitido pela internet. Deste modo, caso seja comprovada a existência dos bósons, várias
explicações sobre a expansão do universo poderão
ser determinadas ou mesmo ter uma explicação mais óbvia.
Essa descoberta também faria que nós tivéssemos maiores
evidências sobre o “Big Bang”, a explosão que deu
início ao mundo. Para tanto, pode ser que os Bósons de Higgs
não existam, que eles não consigam encontrar uma explicação
e uma resposta para tudo que estão procurando, deste modo, os cientistas
terão mais um grande problema para resolver, precisarão rever
todos os conceitos já formados sobre a origem do universo.
O britânico Peter Higgs teorizou a existência do bóson
que leva seu nome
Indícios do bóson e o Modelo Padrão
Bruno Mansoulie, físico do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern,
na sigla em francês), disse a jornalistas, em Genebra, que o grande
acelerador de partículas europeu "reduziu a janela na qual os
cientistas acreditam que encontrarão o bóson de Higgs".
A sustentação para esta busca é o desejo de preencher
a maior lacuna do Modelo Padrão, uma das principais teorias das partículas
subatômicas. Desenvolvido no começo dos anos 1970, o Modelo Padrão diz
haver 12 partículas que compreendem os elementos principais presentes
em toda a matéria. Estas partículas fundamentais se dividem
em uma sequência de seis léptons e seis quarks, batizados com
nomes exóticos, como "charm" (charme), "tau" e
"strange" (estranho. O Modelo Padrão também diz que
as partículas conhecidas como bósons atuam como mensageiras
entre as partículas de matéria. Esta interação
dá origem a três forças fundamentais: a força forte,
a força fraca e a força eletromagnética (há uma
quarta força, a gravidade, que se suspeita que seja provocada por um
bóson ainda a ser descoberto, denominado "gráviton"). O mistério, no entanto, é o que dá massa às
partículas de matéria - e por que algumas destas partículas
têm mais massa do que outras. A teoria que sustenta o bóson de
Higgs é que a massa não derivaria de todas as partículas
em si. Ao contrário, viria de um único bóson - o de Higgs
- que reage fortemente a algumas partículas, e menos (ou não
reage em absoluto) a outras. Uma forma de visualizar isto é pensar em um coquetel onde há
um grupo (os bósons) e recém-chegados (as partículas
de matéria). Imagine o que aconteceria se um desconhecido entrasse
na festa e atravessasse a sala. Apenas algumas pessoas o conheceriam e se
aproximariam dele, e sendo assim, ele conseguiria cruzar o ambiente rapidamente,
sem grandes obstáculos. Mas o que aconteceria se uma celebridade entrasse? As pessoas se concentrariam
em torno dela e seria mais difícil para ela cruzar o salão.
Em termos físicos, esta partícula tem mais massa. "A ideia
é que as partículas colidem contra os bósons de Higgs
e este contato é o que as tornam mais lentas e lhes dá massa",
explicou o físico e filósofo francês Etienne Klein.